Tubulação de PPR - Quantificação dos tubos e planejamento da entrega conforme a demanda são as tarefas principais para a aquisição bem-sucedida | Construção Mercado

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Tubulação de PPR - Quantificação dos tubos e planejamento da entrega conforme a demanda são as tarefas principais para a aquisição bem-sucedida

Por Bruno Loturco
Edição 161 - Dezembro/2014
FOTO: MARCELO SCANDAROLI
Selo do Inmetro e atestado de atendimento às normas devem vir impressos nos próprios tubos

É comum entre as construtoras contratar uma empresa especializada em instalações hidráulicas. Dessa forma, a compra de tubos e conexões para água quente, como é o caso do PPR, geralmente é feita de forma indireta. Ou seja, a instaladora faz a compra, com a possibilidade de o faturamento ser ou não direto.

É o que ocorre, por exemplo, na Brookfield Incorporações, conforme conta o superintendente de suprimentos da companhia, Marco Antonio Cunha. "Apesar de o contrato ser global e toda a responsabilidade da execução ser da instaladora, a Brookfield permite faturamento direto de materiais dentro do limite estabelecido em contrato e seguindo cronograma de compras e faturamento", diz.

Dessa forma, são estabelecidos contratos de serviços para as instalações que preveem o fornecimento de materiais. "A instaladora é responsável pela entrega do sistema funcionando, respeitando especificações de projetos e memoriais", explica o superintendente.

Especificações
Ainda assim, para que o desempenho esperado seja alcançado, é preciso que as especificações do projetista sejam seguidas para a compra desses materiais. São itens indispensáveis para o pedido a quantidade e as devidas especificações coletadas nos projetos e memorial de construção. Também não muda a responsabilidade pelo acompanhamento do processo, assegura Cunha, geralmente delegada à área de projeto de instalações.

De acordo com o engenheiro Wesley Fabricio, da MPD Engenharia, nos casos em que o projetista não detalha a especificação dos materiais, a responsabilidade recai sobre a equipe de engenharia da obra, que analisa os projetos, "levando em consideração aspectos relacionados a desempenho, condições de atendimento dos fornecedores tradicionais e, sobretudo, custos - aqui incluídos materiais, mão de obra, perdas. Nesta fase, os departamentos técnicos dos fornecedores exercem papel destacado, municiando a obra de informações importantes".

Fornecedores
Para escolher o fornecedor, é preciso considerar não apenas o preço praticado, mas também o padrão de entrega e a disponibilidade dos produtos - especialmente nos casos em que o volume de compra é elevado. É imprescindível verificar se o fabricante cumpre as normas estabelecidas e se conta com as certificações necessárias. No caso de tubulações, o atendimento às normas vem impresso no próprio produto, nas barras, assim como o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Conexões têm a norma referente impressa na embalagem.

Ao fazer o pedido, Fabricio considera imprescindível passar ao fornecedor a especificação técnica completa dos materiais solicitados para cada tipo de uso; a quantidade a ser fornecida, o tempo em que o material será consumido, as datas de entrega e a forma como o material deverá ser entregue.

Por esse motivo, ele considera essencial fixar, no ato do fechamento, o período de reajuste e o índice que será usado. Além disso, alerta para a importância de determinar quantitativos de materiais em conjunto entre as duas partes a fim de evitar sobras, principalmente de conexões.

FOTO: MARCELO SCANDAROLI
Construtora precisa manter controle sobre a instalação hidráulica, de modo a adequar sua execução ao cronograma geral da obra

Entrega
É interessante para a construtora manter o controle sobre a instalação hidráulica de modo a adequar sua execução ao cronograma geral da obra. É por isso que, na Brookfield, a compra de tubos de PPR é feita no início dos trabalhos, durante a fase de fundações. "Dessa maneira, durante a execução da estrutura, já temos a instaladora contratada", explica Cunha.

O procedimento é similar na MPD Engenharia, onde a compra desses materiais é feita na fase inicial das obras, tão logo seja concluída a análise dos projetos. Isso porque, por vezes, são necessárias alterações relacionadas a dimensionamento e especificações. A partir daí é possível começar a esboçar o cenário dos valores envolvidos nas contratações de empresas terceirizadas para esses serviços. A decisão final, aponta o engenheiro da MPD, depende do tamanho da obra, do tempo de execução e do plano de vendas do empreendimento.

Com controle rígido sobre o processo, torna-se possível à construtora evitar problemas nas duas tarefas que, de acordo com Cunha, são as mais críticas na compra de tubos de PPR: o levantamento da quantidade de materiais e o cronograma de entrega dos produtos em obra.

Afinal, embora a compra seja antecipada, a entrega deve coincidir com a demanda. Sendo assim, a compra deve ser atrelada ao cronograma físico-financeiro da obra. "Procuramos agrupar as contratações das instalações em pacotes de obras para melhorar o poder de negociação junto às instaladoras", revela Cunha.

Isso permite às construtoras adquirir os materiais diretamente do fabricante ou de representantes especializados em grandes demandas. Fabricio, da MPD Engenharia, conta que a decisão sobre a compra "dependerá das melhores condições de atendimento pré e pós-venda e das condições comerciais", diz. "Com um bom cronograma físico e o planejamento estratégico da obra apurado, o material deverá ser entregue conforme o andamento do trabalho", complementa Fabricio.

Recebimento
Há construtoras que preferem adiantar o recebimento do material. Nesses casos, é preciso verificar se há espaço disponível em canteiro para o correto armazenamento. Um dos riscos envolvidos com a estocagem de tubos em canteiro é a movimentação. Caso os tubos sofram impactos significativos, podem amassar ou quebrar.

Em todos os casos, entretanto, quando do recebimento é preciso verificar e confrontar informações do pedido de compras, nota fiscal e identificação do material. "Deve haver uma interação grande entre engenharia de obra, mestre de obras, departamentos administrativos de obra e almoxarifes, cada um com seu grau de responsabilidade", pontua Fabricio.

De acordo com ele, à engenharia cabe especificar e quantificar os materiais, montar dispositivos de controle de recebimento, contratar a empresa fornecedora, montar os cronogramas de entrega e os pedidos com as nomenclaturas dos materiais, determinando quantidades e preços unitários.

Já os mestres de obra e os funcionários administrativos são encarregados de fornecer aos almoxarifes planilhas de controle e ferramentas para o controle, montar o almoxarifado adequadamente para salvaguardar o material em obra, além de monitorar, no cronograma, o cumprimento das entregas conforme o que foi acordado entre as partes.

Os almoxarifes, por sua vez, de posse das ferramentas de controle, planilhas e pedido e após estarem informados acerca da forma como o material será entregue, devem cuidar e assegurar que tudo está sendo cumprido. "Independentemente desses fatores, a discriminação dos materiais entregues, quer em relação às características, quer em relação às quantidades, deve estar bem detalhada, seja na nota fiscal ou em romaneio", diz Wesley Fabricio.

Por fim, a condição de pagamento é uma das componentes da negociação e é determinada em função de fatores relacionados à disponibilidade de fluxo e descontos decorrentes de pagamentos com prazos mais curtos, negociados no fechamento. Entretanto, pondera Fabricio, em nenhum caso os pagamentos são realizados, na MPD Engenharia, com prazo inferior a 15 dias da entrega.

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