Kits hidráulicos: conjuntos encurtam prazo de montagem e conferem mais qualidade às instalações hidráulicas | Construção Mercado

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Kits hidráulicos: conjuntos encurtam prazo de montagem e conferem mais qualidade às instalações hidráulicas

Por Maryana Giribola
Edição 161 - Dezembro/2014

Com procedimentos de montagem padronizados, os kits pré-fabricados para instalações hidráulicas podem enxugar significativamente o prazo de execução nessa etapa da obra, além de conferir mais qualidade e menos desperdício à montagem dos tubos e conexões. De acordo com o engenheiro Sergio Aparecido de Souza, sócio da Fare Engenharia, é possível executar as instalações com os kits em um período 30% a 50% menor do que se o procedimento fosse feito de maneira artesanal. Além disso, o desperdício com os cortes de canos também é reduzido em obra.

Os kits hidráulicos são os tubos e conexões já montados, por vezes soldados em chassis, para serem instalados localmente e conectados à rede. São recomendados para projetos com alto grau de repetitividade. Para favorecer a adoção do sistema, o layout do banheiro, por exemplo, já deve ser projetado de modo que o eixo das peças seja mantido o maior número de vezes possível.

Souza explica que havendo pelo menos 30 repetições já é interessante optar pelos componentes pré-fabricados. "Em empreendimentos residenciais a viabilização é mais simples, mas tudo depende da concepção do projeto", explica

Além de um projeto de instalações hidráulicas que contemple a repetição do caminho das tubulações de um andar para o outro, a viabilidade do sistema também depende de um bom projeto de produção dos próprios kits, que serão montados de acordo com as orientações preestabelecidas. Esse projeto contempla, por exemplo, todas as cotas, ângulos e distâncias dos componentes.

Os conjuntos podem vir prontos de uma linha de montagem externa ou ser montados em local específico no canteiro. O que dita a escolha é o tamanho das tubulações dos kits, que podem ser desmontados para facilitar a logística, e a disponibilidade de espaço e mão de obra para o serviço em canteiro.

Na execução, é importante conferir as medidas dos tubos passantes, a fim de garantir a distância entre os pontos. Entenda os principais cuidados durante a montagem.

ILUSTRAÇÃO: DANIEL BENEVENTI

ILUSTRAÇÃO: DANIEL BENEVENTI

1 Gabarito
Desenvolve-se um protótipo, de modo a prever problemas de execução e possíveis interferências com outros sistemas. A seguir, elabora-se um croqui com as medidas de campo, com base no qual será executado o gabarito da bancada, que auxilia na marcação da alvenaria para receber o kit hidráulico.

2 Montagem
Os tubos são cortados e armazenados por bitola e comprimento, observando-se as dimensões estabelecidas no gabarito da bancada. As conexões são posicionadas e começa a montagem, conforme as especificações do fabricante. Os kits, a seguir, são identificados e armazenados de acordo com o local de instalação.

3 Pontos de saída
Merece atenção especial a marcação na laje dos pontos de saída das tubulações de água, esgoto e dos shafts. Essa marcação deve seguir fielmente o projeto para que seja mantida a distância correta entre os pontos. Uma pequena diferença na marcação da laje pode inviabilizar a instalação do kit. Em seguida, basta fixar os tubos passantes de ralos, vasos sanitários e lavatório.

4 Corte da alvenaria
Após a marcação na alvenaria com o gabarito - que deve seguir a referência de nível e das faixas de revestimento -, inicia-se o corte com serra circular com disco diamantado duplo, que proporciona mais produtividade e qualidade, pois executa dois cortes simultâneos, minimizando os danos na alvenaria.

5 Aplicação dos kits
Com a alvenaria cortada, o encanador posiciona o kit, respeitando profundidade e prumo conforme o revestimento e as interligações com as demais instalações. É importante chumbar corretamente a peça para que a vibração durante o funcionamento da rede não cause danos aos tubos e conexões.

6 Teste de estanqueidade
A qualidade do sistema é aferida depois de instalada a tubulação, com testes de estanqueidade. Nos testes de água fria e água quente, a tubulação é preenchida com água e recebe pressão por uma bomba. Um manômetro é acoplado à rede para identificar eventuais vazamentos, caso ocorra queda de pressão da água. Para o teste de esgoto, cada segmento da rede junto à coluna deve ser fechado e preenchido com água, efetuando-se também a detecção de vazamentos.

Apoio técnico: Sergio Aparecido de Souza, sócio da Fare Engenharia; e "Melhores Práticas" da 138ª edição da revista Téchne

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