Investimento em parceria - Buscando ampliar produtividade e reduzir riscos trabalhistas, construtoras optam por modelo de gestão mais próximo dos funcionários das empreiteiras | Construção Mercado

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Gestão de empreiteiros

Investimento em parceria - Buscando ampliar produtividade e reduzir riscos trabalhistas, construtoras optam por modelo de gestão mais próximo dos funcionários das empreiteiras

Por Aline Mariane
Edição 162 - Janeiro/2015

DRPIXEL/SHUTTERSTOCK

Improdutividade, mão de obra desqualificada e centenas de ações trabalhistas. Esses são alguns dos problemas relatados por muitas construtoras que optam por trabalhar com grande número de empreiteiras em suas obras. Consulta feita pela PINI em outubro e novembro com gestores de construtoras mostra que 60% deles consideram relevante, grave ou muito grave o volume de processos trabalhistas movidos por funcionários de empreiteiras.

O aumento da participação das empreiteiras nas construções faz com que cresça também a quantidade de trabalhadores terceirizados nas obras. De acordo com as fontes consultadas pela reportagem, por mais que a própria empreiteira tenha responsabilidade por seus funcionários, é aconselhável que as construtoras intervenham diretamente na gestão de trabalhadores, de modo a minimizar os problemas durante e após a obra.

Percebendo a fragilidade de uma parcela de pequenas e médias empreiteiras no âmbito da gestão de trabalhadores e na administração financeira - e também que a troca de acusações, em caso de erros construtivos, não trazia mudanças positivas e prejudicava ainda mais o relacionamento entre elas -, algumas construtoras desistiram da queda de braço e passaram a tratar as empreiteiras como parceiras. Na relação de parceria, ênfase especial é dada à comunicação, ponto tradicionalmente crítico.

"A construtora espera que, como o funcionário é da empreiteira, ela o treine para ter melhor performance, uma vez que quem mais tem a ganhar é ele. Só que essas empresas não têm essa consciência, na maior parte das vezes. Seu porte é pequeno, sua capacidade financeira é limitada e elas sofrem com a rotatividade", afirma André Choma, engenheiro da Vale.

Mesmo conhecendo poucas empresas que realizem treinamento com as terceirizadas, Choma destaca que as que o fazem, colhem resultados positivos, como aumento de produtividade e menos atrasos em obra.

Antônio Ramalho, presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de São Paulo (Sintracon-SP), afirma que grande parte das empresas não tem essa preocupação com as empreiteiras. "Se recentemente algumas das grandes construtoras foram flagradas trabalhando com empreiteiras que mantinham os funcionários em condições análogas à escravidão, imagina se elas vão se preocupar em fazer treinamento para a empreiteira", acredita.

Haruo Ishikawa, vice-presidente de relações capital-trabalho do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (SindusCon- -SP), também alerta quanto à responsabilidade da construtora de orientar e fiscalizar os trabalhos das empreiteiras e atentar para as condições de alojamento dos trabalhadores. "As grandes empresas, quando contratam a empreiteira, devem saber onde os trabalhadores estão alojados."

DIVULGAÇÃO: SINDUSCON-SP



'As grandes empresas, quando contratam a empreiteira, devem saber onde os trabalhadores estão alojados'

Haruo Ishikawa,
vice-presidente de relações capital-trabalho do SindusCon-SP

Treinamentos
Muitas vezes, as empreiteiras são especializadas em serviços específicos como fundações ou esquadrias, em relação aos quais a própria construtora não tem conhecimento profundo a ponto de ajudá-las na qualificação de seus funcionários. Também é comum transferir a responsabilidade de execução do serviço para a empreiteira, como defende Mário Valois, diretor da Dinâmica Engenharia. "Quem faz os treinamentos de execução é a empreiteira. Nós não ensinamos o pintor a pintar, mas nós exigimos limpeza e uso de equipamentos de segurança e fornecemos treinamento de segurança do trabalho", ressalta.

DIVULGAÇÃO: MPD



'Procuramos não intervir no modelo de gestão das empreiteiras, pois existe uma questão de cultura interna'

Leonardo P. de Luca,
gerente de contratos da MPD Engenharia

A Consciente Construtora, por exemplo, não realiza treinamentos para a empreiteira, porém, fornece todos os benefícios para os colaboradores da obra, próprios ou terceirizados. "Se os empreiteiros tiverem preocupações como essa, com certeza não terão tanta rotatividade", aponta Ricardo Sanches, gerente de suprimentos da Consciente.

Porém, com a intenção de resolver problemas de qualidade e improdutividade, algumas construtoras têm investido no treinamento da mão de obra das terceirizadas. O procedimento, na maioria das empresas consultadas pela reportagem, tem se tornado padrão há cerca de dois anos. Via de regra, as construtoras preparam os procedimentos para execução de cada serviço da contratada e, ao recebê-la na obra, fornecem material e realizam treinamento com os funcionários.

Na MBigucci, por exemplo, quando se inicia o serviço da empreiteira, é realizado treinamento com a construtora que orienta como será executado e fiscalizado o serviço, quais equipamentos de segurança os funcionários devem usar, como se organizam os horários da obra e quais são as normas de segurança. "Acreditamos que treinar faz parte da obrigação da construtora, mesmo que sejam os funcionários dos empreiteiros", ressalta Milton Bigucci Júnior, diretor técnico da construtora.

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