Demolição controlada - Responsabilidade técnica pela especificação é da contratante, que deve garantir segurança estrutural do serviço | Construção Mercado

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Como contratar II

Demolição controlada - Responsabilidade técnica pela especificação é da contratante, que deve garantir segurança estrutural do serviço

Bruno Loturco
Edição 162 - Janeiro/2015
MARCELO SCANDAROLI
Serviço deve ser contratado após consulta ao projetista estrutural, sendo necessário elaborar plano de execução que considere as armaduras já existentes

Os serviços de demolição controlada auxiliam na criação de aberturas em lajes ou vigas para passagem de tubulações de hidráulica, elétrica, sistemas e ar- -condicionado. São necessários quando, por algum motivo, tais passagens não foram consideradas no projeto ou durante a execução.

Até o desenvolvimento da tecnologia de demolição controlada, tais procedimentos eram feitos com a chamada demolição a quente - ou seja, com uso de explosivos - ou com rompedores manuais ou montados em máquinas de terraplanagem. Com o uso de metodologia sem impacto, vibração ou barulho e preservando a estrutura remanescente, o procedimento passou a ser conhecido como demolição controlada.

Conforme orienta o superintendente de construção da Brookfield Incorporações, Gabriel Meneghin, o principal cuidado é consultar o projetista estrutural. "Após a liberação do projetista, é necessário fazer um plano de execução tomando cuidado com as armaduras já existentes e concretadas nas peças estruturais, evitando o corte da armação", salienta. Após o corte, continua ele, é preciso ter atenção especial para verificar se foi cortada ou não alguma armadura. Além disso, é sempre imprescindível isolar adequadamente tanto o andar onde será feita a demolição como o andar inferior.

Há outros casos em que a demolição controlada faz-se necessária, conforme lembra Gilberto Giassetti, da Porto Seguro Cortes e Furos. "Em obras de cronograma muito curto, em que o prazo é fundamental para o sucesso do trabalho, essa metodologia é muito eficiente, permitindo demolições com redução dos prazos em até cinco vezes, quando comparamos com as tecnologias convencionais", assegura.

Outro benefício da demolição controlada é a possibilidade de cortar vários materiais simultaneamente. "Estruturas de aço revestidas com concreto ou refratários podem ser cortadas de uma só vez", exemplifica.

Seleção de fornecedores
Para Meneghin, a principal premissa ao selecionar empresas é procurar fornecedores renomados no mercado de obras, com maquinário novo e que tenham uma equipe de trabalho bem treinada. A recomendação de Giassetti é semelhante, sendo importante, segundo ele, pesquisar a experiência da empresa na execução de obras similares. Além disso, pontua, é importante verificar se a empresa conta com engenheiro responsável, com registro junto ao Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agrono mia (Crea), se está com as obrigações trabalhistas em dia e se fornece estatísticas relacionadas a acidentes nas obras executadas. "Tudo isso não garante uma contratação sem risco, mas com certeza minimiza muito a margem de erro", acredita.

Especificação
A correta contratação deve ser seguida de especificação adequada, contendo as dimensões necessárias para a demolição controlada, prazos de execução e o pleno atendimento aos requisitos de segurança da obra. Para Giassetti, quanto maior a qualidade da informação enviada para elaboração do orçamento, melhor será a proposta recebida.

Para evitar o envio de informações insuficientes, o ideal é que a contratação envolva também o engenheiro responsável técnico pela obra, explica Giassetti. Entretanto, conta ele, "normalmente, o comprador da empresa manda a solicitação que recebeu do responsável pela execução e, nesse processo, muitas informações importantes são perdidas".

Ele também afirma que o contratante deve informar exatamente qual é o objetivo do trabalho, quais são os elementos a serem preservados ou se a demanda pela demolição controlada foi gerada em função de outros fatores, como ruído, impacto , prazo, vibrações e meio ambiente . "Com essas informações, as empresas executantes podem usar os melhores equipamentos e técnicas pra atender a necessidade do contratante", diz.

O contratante deve se certificar de que a estrutura pode ser demolida ou sofrer alterações. Para tanto, ele recomenda sempre contar com ajuda de profissionais da área. Até mesmo porque, conforme lembra Giassetti, a responsabilidade pela segurança estrutural é sempre do contratante, pois as empresas de serviços de corte e perfuração de concreto não possuem nos seus quadros especialistas para fazerem essa avaliação. "Se alguém me contrata para cortar uma estrutura, tem que ter certeza do que está fazendo, deve haver um responsável por isso", salienta.

Meneghin concorda com ele, afirmando que os responsáveis pelo serviço são o engenheiro, o mestre e o encarregado, "lembrando que o acompanhamento efetivo de todas as perfurações tem de ser garantido pelo engenheiro".

A responsabilidade pelo serviço executado, no entanto, é da contratada. "Ao recolhermos as Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs), sempre as vinculamos à ART do engenheiro responsável na contratante", explica ao contar que, em alguns casos, é possível detectar irregularidades. "Então, mesmo não sendo nossa responsabilidade, alertamos a contratante", diz.

Condições de trabalho
A contratante deve proporcionar à contratada ambiente adequado para o trabalho, já devidamente isolado e com local para a guarda segura dos equipamentos. É preciso que a área de trabalho esteja livre de obstruções, com iluminação suficiente e andaimes e escoramentos montados de acordo com as prerrogativas da Norma Regulamentadora de Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção (NR-18).

É preciso também que existam pontos de tomada elétrica e de água à distância máxima a ser combinada entre as partes. Para evitar atrasos, o ideal é que as áreas a serem cortadas já estejam devidamente demarcadas.

DIVULGAÇÃO: PS CORTES E FUROS

Em geral, a responsabilidade pela limpeza do local e remoção e destinação adequada dos resíduos é da contratante, a menos que algo diferente seja acordado entre as partes.

Giassetti critica a forma como muitas contratantes analisam as propostas, unicamente com base nos valores fornecidos. Ao ignorar os demais itens, conta ele, podem ocorrer atritos relacionados à responsabilidade pelas tarefas. "Esses problemas são gerados porque nem comprador nem responsável pela execução leram a proposta", argumenta.

Fiscalização e pagamento
Meneghin conta que o pagamento por parte da Brookfield é feito, em geral, após a realização de medições quantitativas mensais. Já Giassetti afirma ter como padrão o estabelecimento de pagamentos por preços unitários baseados em estimativas de volume de serviços apresentadas na proposta. "Após a execução e com os relatórios e os diários de obra, é feito um levantamento dos quantitativos efetivamente executados. Daí, é só fazer as contas", resume.

O acompanhamento do serviço deve ser efetivo para garantir a integridade de armações preexistentes. "Se for o caso de precisar danificar alguma armação, é preciso pensar em um projeto de reforço estrutural, se necessário. Quem poderá dizer isso é o projetista", aponta Meneghin. A fiscalização intensa, na opinião de Giassetti, minimiza a incidência de problemas e evita possíveis erros decorrentes de marcação incorreta.

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