Em Fortaleza, lançamentos e preço dos imóveis sobem em 2014, mas setor segue tendência e prega cautela para este ano. Residenciais com apartamentos compactos devem ganhar destaque | Construção Mercado

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Em Fortaleza, lançamentos e preço dos imóveis sobem em 2014, mas setor segue tendência e prega cautela para este ano. Residenciais com apartamentos compactos devem ganhar destaque

Por Larissa Leiros Baroni
Edição 163 - Fevereiro/2015

 

Ostill/Shutterstock
Fortaleza ainda conta com boas opções de terreno, segundo Sílvio Oliveira, vice-presidente da ABMI. Mas desaceleração da economia deve brecar crescimento do mercado imobiliário em 2015, diz setor

 

Em 2015, a expectativa de crescimento do mercado imobiliário de Fortaleza não é muito animadora, assim como na maioria das capitais brasileiras. O setor na capital cearense deve crescer no mesmo patamar das principais cidades do País, ou seja, deve se manter estagnado. É o que apontam os especialistas ouvidos pela reportagem. Segundo ele, o momento é de "reconstruir" o mercado na região com as devidas cautelas que a economia brasileira tende a exigir ao longo do ano.

No ano passado, segundo balanço do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Ceará (Sinduscon-CE), 60 empreendimentos foram lançados na Região Metropolitana de Fortaleza - o que equivale a cerca de 8 mil unidades. Os números, que não incluem imóveis do Minha Casa Minha Vida (MCMV), representam um rendimento de R$ 5 bilhões, R$ 1,5 bilhão a mais do que em 2013.

Também houve alta, ainda que em menor proporção, do preço dos imóveis. Segundo o Índice FipeZap, medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e pelo portal ZAP Imóveis, o valor médio do metro quadrado em 2014 foi de R$ 5.523, que representa aumento de 8% na comparação com 2013. Percentual um pouco acima da inflação acumulada em 12 meses, que foi de 6,41% em dezembro. "Os preços tiveram um crescimento rápido em função do tempo em que ficou estagnado, causado principalmente pela falta de crédito imobiliário adequado", afirma Sílvio Oliveira, vice-presidente da Associação Brasileira do Mercado Imobiliário (ABMI).

Mas, segundo André Montenegro, presidente do Sinduscon-CE, ainda há regiões da capital cearense com potencial para aumentos de preço. "Principalmente nos bairros mais nobres da cidade, tais como Meireles e Aldeota, bem como aqueles que tiveram melhorias na infraestrutura, como Guararapes, Papicu e Cocó", exemplifica. Ainda segundo ele, estima-se que o metro quadrado médio nessas áreas possa chegar a R$ 12 mil.

O mercado imobiliário de Fortaleza, como cita Montenegro, se diferencia das demais capitais brasileiras por não ter sofrido com a invasão das grandes incorporadoras. "O setor, composto exclusivamente por construtoras locais, tem se favorecido também pelo baixo volume de estoque", relata o presidente do Sinduscon-CE. Segundo ele, a capital cearense mantém cerca de 5.500 unidades em estoque. No Estado, de acordo com a Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE), o volume é de cerca de nove mil unidades. Mas, de acordo o presidente da entidade, Marcos Novaes, "esses números necessitam de apenas um ano para liquidez".

Aposta nos compactos
No segmento residencial, segundo o balanço do Sinduscon-CE, os campeões de vendas são os apartamentos de em média 100 m², com dois a três dormitórios e preço médio de R$ 500 mil. Montenegro também destaca o aumento da demanda por imóveis compactos, no valor de até R$ 250 mil. "São empreendimentos mais distantes dos grandes centros e mais acessíveis financeiramente para compradores de baixa renda."

"Durante todo o crescimento que vivemos recentemente foram priorizados o médio e o alto padrão. Para pessoas com renda familiar até R$ 6 mil mensais o déficit está maior do que em 2008", acrescenta Oliveira, da ABMI. Dados do Ministério das Cidades apontam um déf icit habitacional na Região Metropolitana de Fortaleza de 124.701 unidades. Diante desse cenário, a tendência, segundo Novaes, é que em 2015 sejam priorizados apartamentos de 50 m² a 120 m², com faixa de preços que variam de R$ 250 mil a R$ 700 mil, sendo que a prioridade das vendas será mais próxima do limite inferior.

O Sinduscon-CE também aposta na chegada dos imóveis supercompactos de 40 m². Caminho que vai ser seguido pela construtora Dias de Sousa, que há 20 anos investe no mercado imobiliário da capital cearense e que pela segunda vez consecutiva ganhou título de Construtora do Ano do Sinduscon-CE. Com um total de venda de R$ 145 milhões em 2014, a empresa foi responsável por um dos principais lançamentos de Fortaleza: o complexo imobiliário WSTC Soho.

Divulgação: Coopercon-CE

"Nossa recomendação é que a partir de agora sejam feitos estudos cautelosos antes de investir em novos lançamentos - na capital ou na Região Metropolitana - para que não haja saturação"
Marcos Novaes presidente da Cooperativa da Construção Civil do Ceará (Coopercon-CE)

"O WSTC é um empreendimento comercial com 416 salas e um mall de 36 lojas. O Soho é um empreendimento imobiliário residencial com 98 apartamentos", descreve o sócio e diretor da Dias de Sousa, Patriolino Ribeiro, que afirma que em 2015 a construtora vai lançar apartamentos residenciais de 38 m² e 52 m², com valor geral de vendas (VGV) de R$ 45 milhões, no bairro Guararapes. Além disso, "outro empreendimento que será lançado até meio de 2015 é um altíssimo padrão com 46 apartamentos de 130 m², com VGV de R$ 42 milhões".

Como relata o vice-presidente da ABMI, Sílvio Oliveira, Fortaleza é uma cidade com muitas opções de terrenos ainda. "Com a quebra da euforia imobiliária recente, estes terrenos deverão ficar em patamares sóbrios, propiciando que a lei da oferta e procura regule seus preços e favoreça a realização de empreendimentos por todas as regiões da cidade", analisa Oliveira.

Mesmo assim, Fortaleza não vai conseguir se blindar do cenário nacional econômico. "O ano de 2015 é de incertezas na macroeconomia. Então, não teremos uma demanda tão grande como nos anos anteriores", acredita Ribeiro, que atrela as incertezas econômicas a uma provável estagnação nas vendas. O presidente do Sinduscon-CE, André Montenegro, projeta diminuição de 5%, queda que, segundo ele, não vai afetar o nível de emprego do setor. "Como houve muitos lançamentos em 2013 e em 2014, este novo ano será de construção", define.

E para manter o mercado sadio, o presidente do Coopercon-CE orienta que os novos lançamentos sejam proporcionais à demanda para que não haja superoferta e destaca ainda a importância da reconstrução do setor: "as construtoras terão de trabalhar da porta para dentro, realinhando suas rotinas e buscando a redução de custos, evitando os desperdícios e otimizando a produtividade. Se tivermos um ano igual a 2014 já será uma grande meta conquistada, e quem agir desta maneira emergirá com boa musculatura em 2016".

 

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