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Mesmo após ano praticamente sem lançamentos, mercado imobiliário de São Luís mantém foco na venda de estoques

Por Aline Mariane
Edição 163 - Fevereiro/2015

 

Divulgação: Mota Machado
Apesar do desaquecimento do mercado imobiliário em São Luís, condomínios clube se destacaram nos últimos anos na cidade. Algumas construtoras, como Sá Cavalcante e Mota Machado, apostaram nesse tipo de produto. Na foto, o empreendimento Ilhas Gregas, entregue recentemente pela Mota Machado

Focado principalmente na construção de empreendimentos residenciais, o mercado imobiliário em São Luís vem passando, desde 2013, por um arrefecimento de lançamentos. Após o boom imobiliário, que trouxe incorporadoras de capital aberto à cidade, as construtoras regionais constataram que o número de empreendimentos lançados foi superior à capacidade de absorção da demanda local.

"Hoje, o mercado residencial de São Luís tem superoferta principalmente de apartamentos de dois e três quartos, na faixa entre 60 m² e 80 m². Tanto que praticamente não ocorreram lançamentos em 2013 e em 2014. Faz praticamente dois anos que a cidade não tem lançamento de novos produtos", constata Nicácio Francisco Cavalcante de Lima, responsável pela área de incorporação e comercial da construtora Mota Machado, em São Luís.

O que também motivou a chegada de grandes incorporadoras foi a construção de uma refinaria da Petrobras a 60 km da capital maranhense. Empresas que trabalhariam para a refinaria começaram a procurar imóveis para se instalarem na capital maranhense, aumentando o número de lançamentos tanto residenciais quanto comerciais. Porém, em 2012, a obra da refinaria foi paralisada e até o momento não foi retomada. "O mercado vivia muito em função desse empreendimento", lembra Andrezo Jackson dos Santos, diretor da Ética Imobiliária.

Diante do mercado desaquecido e sem previsão de quando voltará a crescer, o comportamento das construtoras no município agora é de cautela e de venda de estoques. "Acreditamos que 2015 não poderá ser pior do que foi 2014. Esperamos que as pessoas possam se programar melhor e adquirir seu primeiro imóvel ou se mudar para outro imóvel, já que os preços tendem a ficar mais estáveis", ressalta o diretor da Ética Imobiliária.

Mercado residencial
Pessoas que antes moravam em grandes residências passaram a procurar por apartamentos ou casas em condomínio fechado, por questões de segurança. A construtora Sá Cavalcante, por exemplo, tem focado seus investimentos em produtos como condomínios clube - já bem disseminados na região Sul do País. "Esses produtos têm maior quantidade de torres, subcondomínios dentro do próprio terreno e até mil unidades", conta Antonio Wandeilson Aguiar Macedo, supervisor comercial da Sá Cavalcante no Maranhão. A construtora tem dois empreendimentos para lançar neste ano, um residencial e um comercial.

De acordo com as fontes ouvidas pela reportagem, não existe um bairro que deverá se destacar na cidade, mas existem aqueles mais desejados pelos incorporadores que produzem alto padrão, por estarem localizados à beira-mar e terem boa infraestrutura. Renascença, Ponta da Areia e Calhau são bons exemplos disso. Os preços do metro quadrado nesses bairros variam de R$ 7 mil a R$ 10 mil. Mas também é possível encontrar imóveis por cerca de R$ 4.500/m² em outras áreas da cidade.

Para Marco Aurélio Ferreira, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis do Estado do Maranhão (Sindimóveis-MA), os preços ainda não se acomodaram. "Os preços ainda estão altos. As demandas que estão sendo atendidas hoje são as do mercado dentro do Minha Casa Minha Vida, que é venda certa", ressalta.

Receosa com a sobreoferta na região, a construtora Mota Machado não pretende lançar empreendimentos neste ano. Desde o ano passado ela está entregando 12 empreendimentos e sua expectativa é finalizar as entregas no começo de 2016. "Teremos um período em 2016 que provavelmente não haverá obras aqui", acredita Nicácio. Ainda segundo os profissionais ouvidos pela reportagem, os demais setores do mercado, como shoppings, escritórios e hotéis, deverão seguir os mesmo passos - lentos - do segmento residencial.

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