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Apesar de críticas sobre uso de certificações como instrumento de marketing, adoção de conceitos ambientalmente amigáveis para construção e operação de edifícios tem aumentado

Por Evelyn Oliveira
Edição 163 - Fevereiro/2015
 

Teimaging/Shutterstock

Estudo realizado pela consultoria EY em parceria com o Green Building Council Brasil (GBC) em agosto de 2013 constatou que, a partir de 2010, houve crescimento moderado, porém constante, do valor total de empreendimentos que contam com certificação Leadership in Energy and Environmental Design (Leed) no Brasil.

Em julho de 2013, por exemplo, havia 109 projetos certificados, com outros 660 na fila para obter o Leed. Em fins de 2014, o número de pedidos chegava a 931. Tais números colocam o Brasil na quarta posição entre os 140 países que mais possuem edifícios com certificações Leed. São, no total, 2.089.195,20 m² certificados, atrás apenas de Estados Unidos, Emirados Árabes e China.

O posicionamento do Brasil no ranking se deve, principalmente, aos edifícios comerciais, que lideram a lista nacional de projetos registrados para certificação Leed, com 432, ou 46,4% do total. O segmento residencial, por sua vez, aparece com apenas 20 registros. Hamilton Leite, diretor de sustentabilidade do Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP), afirma que, até março de 2013, não havia ainda nenhum empreendimento residencial concluído certificado como sustentável e que clientes de edifícios comerciais demandam por esse tipo de produto. "As grandes empresas querem se instalar em edifícios sustentáveis porque conhecem os benefícios", acredita.

Divulgação: OR
Com 23 certificações de eficiência energética concedidas pelo Inmetro e pelo Procel, empreendimento da Odebrecht na Bahia será beneficiado com desconto de 10% no IPTU graças a programa da prefeitura de Salvador

 

Divulgação MZM Incorporadora e Construtora
Mesmo desvinculado de certificação, empreendimento da MZM em Piracicaba utiliza madeiras dos decks e áreas comuns produzidas a partir de resíduos e, quando em operação, terá coleta e reúso de águas pluviais, lâmpadas LED, geração de energia e elevadores que economizam 70% de energia

Sustentabilidade ou marketing?
Vanderley John, professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), olha com ressalvas para o crescimento do interesse por selos de sustentabilidade. "O pedido de certificação é um conhecido esquema de turbinar valor de prédio vendido na planta. Você anuncia que vai certificar e depois não certifica", revela.

O professor afirma, entretanto, que os clientes se preocupam mais com economia de água e de energia obtida do que com as certificações que o empreendimento tenha. "Os edifícios verdes são mais uma estratégia de marketing do que uma forma de melhorar o meio ambiente", complementa. Como exemplo, ele fala sobre prédios com tomadas para carregar carros elétricos. "Isso é uma forma barata de conseguir pontos para ganhar certificado, o que não significa que a empresa tenha compromisso com o meio ambiente", salienta.

Outro obstáculo apontado por John é a falta de capacitação técnica. "Não temos profissionais qualificados porque não pagamos. O que falta para diminuir o impacto ambiental dos edifícios é, principalmente, profissionais de nível superior com algum conhecimento, mas, infelizmente, a formação de engenheiros e arquitetos no Brasil é muito fraca", afirma.

Apesar das críticas, John vê com bons olhos a forma com que empresas e pessoas têm incluído termos de sustentabilidade na agenda e no projeto dos edifícios. Parte do otimismo do professor relaciona-se às influências da NBR 15.575. "A Norma de Desempenho tem potencial para reduzir o consumo de energia no Brasil. Ela melhora o conforto térmico, baixando a demanda por energia", exemplifica.

Marcelo Scandaroli

"As grandes empresas querem se instalar em edifícios sustentáveis porque conhecem os benefícios"
Hamilton Leite
diretor de sustentabilidade do Secovi-SP

Custos adicionais
É justamente sobre sustentabilidade em empreendimentos imobiliários residenciais e avaliação dos custos adicionais para atendimento a requisitos de certificação ambiental que trata a dissertação de mestrado de Hamilton Leite, defendida em 2013. No estudo, ele diz que, "dentre diversas razões para que apenas um empreendimento imobiliário residencial concluído até maio de 2013 tenha conquistado certificação ambiental no Brasil, o fato de que empreendimentos sustentáveis contabilizam aumento de custos com a obra, com o processo de certificação e com consultores em relação a empreendimentos convencionais é a dificuldade mais relevante na opinião dos empreendedores".

De todos os incorporadores imobiliários que responderam à enquete proposta pela dissertação, 82% afirmaram que o custo adicional da obra sustentável é uma dificuldade para construir seguindo princípios e referências de sustentabilidade. Segundo Leite, este fato pode estar inibindo o desenvolvimento de empreendimentos sustentáveis por parte das empresas incorporadoras do País.

Como possível solução para reduzir tal barreira econômica, Leite sugere a identificação de aspectos que agreguem sustentabilidade a empreendimentos residenciais e apresentem custos de implantação menores ou iguais a seus equivalentes convencionais.

 

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