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Estaca-hélice contínua - Além da qualidade técnica do serviço, aspectos como disponibilidade de equipamento e rápida manutenção também devem ser avaliados na hora da contratação

Maryana Giribola
Edição 163 - Fevereiro/2015
 

Marcelo Scandaroli
Antes de iniciar o serviço é preciso ter atenção à adequação do espaço devido à movimentação das máquinas. A preparação do solo deve ser orientada pela empresa fornecedora

As estacas-hélices contínuas são uma técnica de fundação especialmente indicada para terrenos com áreas densamente ocupadas, já que a tecnologia permite a perfuração de solos com ruído e vibração extremamente baixos. Outra vantagem desse tipo de fundação é que a execução é rápida, garantindo mais produtividade nessa etapa da obra, além da elevada capacidade de carga que as estacas suportam.

Outra particularidade que favorece o uso dessas estacas é o tipo de solo do terreno. A solução é favorável, por exemplo, para solos com baixa resistência nos primeiros níveis e com presença de água entre 4 m e 5 m abaixo do piso acabado. "Alguns terrenos com essas características podem ser atendidos com outros tipos de fundação, como as estacas pré- -moldadas, mas geralmente a hélice contínua é mais competitiva por conta do baixo nível de ruído e vibrações e pela rapidez construtiva", conta Leandro Caruso, coordenador de obras da construtora MBigucci.

Especificação
A estaca-hélice contínua é executada no terreno com perfuração por meio de haste rotativa até a profundidade indicada em projeto. O preenchimento com concreto é feito simultaneamente à retirada dessa haste, sem rotação, mantendo uma pressão de injeção para evitar vazios no fuste da estaca. Os diâmetros usuais podem variar de 25 cm a 120 cm, no entanto, o que se utiliza mais no mercado varia de 60 cm a 100 cm. As profundidades das estacas podem chegar a 30 m, embora o comprimento usual seja de até 25 m.

"Existem equipamentos com capacidade de perfuração maior, a nível mundial, mas o porte dessas máquinas, em função do terreno e do projeto, tende a ter uma aplicação mais restrita, podendo comprometer o retorno do investimento", explica Sussumu Niyama, diretor da Tecnum Construtora.

Numa obra é possível utilizar vários tipos de diâmetros, dependendo do projeto e das características do terreno, mas é interessante que não se tenha muitos diâmetros diferentes, pois muita troca de trado pode prejudicar a produtividade do serviço. "O ideal é que o projeto preveja em torno de três tipos de diâmetros numa mesma obra, para facilitar a execução, principalmente em canteiros menores", explica Niyama.

Cotação de preços e fornecedores
Para o orçamento, é preciso ter em mãos a sondagem, o projeto de fundação e uma planilha detalhada dos itens a serem cotados. Segundo Bianca Rodrigues, do departamento de compras da MBigucci, a seleção do fornecedor deve passar por uma análise criteriosa. "Para termos uma referência inicial, entramos em contato com os clientes mencionados no site da empresa fornecedora, além de buscar indicações de construtoras parceiras", conta.

Quando o comparativo está pronto, é recomendável que os dados do fornecedor em potencial sejam enviados para o departamento jurídico da contratante, para análise das Certidões Negativas de Débito (CND). Outros dois documentos que podem ser solicitados é o balanço e a Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) do ano anterior e do período do ano vigente, que geram uma análise de liquidez circulante e margem líquida da empresa.

Itens como capacidade e estrutura geral, disponibilidade de maquinário para atender aos diâmetros de projeto e a existência de uma oficina de manutenção para o caso de problemas técnicos durante a execução também devem ser observados. Niyama recomenda ainda que a contratada forneça um documento com estimativas de prazos ou a contratante estabeleça as datas de entrega desejadas.

Logística
A execução desse tipo de estaca não demanda tanto espaço em canteiro como as soluções que utilizam lama, por exemplo, pois não prevê menos silos de armazenamento de material. Por isso, planejar a logística é mais simples. Alguns pontos devem ser observados, como acessos facilitados ao equipamento, qualidade do terreno e planejamento de execução, que consiste em verificar a ordem de escavação das estacas para garantir o estoque correto de armações.

Segundo Niyama, os equipamentos de hélice precisam trafegar numa cota do terreno a pelo menos 1 m acima do nível d'água. Caso o terreno tenha uma quantidade de água que impeça o tráfego da perfuratriz, a construtora deverá fazer uma drenagem por todo o terreno. Pode ser necessário prever uma base de rachão com pedras no 4 e no 5 ou uma troca de solo, para garantir a circulação do equipamento. A adequação do espaço, segundo Caruso, deve ser orientada pela empresa fornecedora.

Um ponto crítico é o abastecimento de concreto. Como as estacas não podem ter juntas frias e a execução é rápida, é preciso garantir que o serviço não seja interrompido por falta de abastecimento. "Se uma estaca vai demandar três caminhões de concreto, pelo menos dois já devem estar na obra e o último já estar chegando", comenta Niyama.

Cuidados de execução
Um ponto crítico durante a execução é o posicionamento das armaduras. Na hora de introduzir a gaiola da armação até a cota prevista em projeto, é preciso manter a linearidade das ferragens, garantindo o cobrimento correto do concreto. Este cuidado é maior quando a cota de arrasamento se encontra a alguns metros abaixo da cota do terreno de onde foram executadas as estacas.

O arrasamento deve ser feito com cuidado para não causar fissuras e trincas nas estacas. Um processo bem recomendado é a utilização de arrasadores de estacas, que têm a vantagem da rapidez e ausência de barulho, comparado ao uso de marteletes de demolição.

NORMAS TÉCNICAS
ABNT NBR 6.122:2010 - Projeto e Execução de Fundações
ABNT NBR 12.131:2006 - Estacas - Prova de Carga Estática - Método de Ensaio
ABNT NBR 13.208:2007 - Estacas - Ensaio de Carregamento Dinâmico

 

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