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Edição 163 - Fevereiro/2015
 

Iluistrator/Shutterstock
Mantida a atual situação econômica, dirigente setorial acredita que setor da construção também pode iniciar demissões em massa

É só a ponta do iceberg
A desaceleração da economia tem preocupado muito o setor da construção neste início de ano - muito mais do que os próprios empresários imaginavam. Um dirigente de uma entidade setorial de São Paulo revela que "o setor vem solicitando reuniões com diversos Ministérios do Governo para alertar que, se a atual situação persistir, muitas empresas vão quebrar". "Se eles (do governo) acham que a demissão de 800 funcionários na Volkswagen é muita coisa, eles vão ver o que vai acontecer quando a construção começar a demitir. Oitocentos funcionários, por exemplo, eu tenho só em uma obra minha", afirma o dirigente.

Boca fechada, mosquito de fora
Até a metade de janeiro, o Governo Federal estava em atraso com os pagamentos a construtoras que executam obras do Minha Casa Minha Vida na faixa 1. A informação é do próprio setor da construção. Mas, procuradas pela reportagem, as construtoras se negam a comentar e chegam até a desmentir o atraso, com receio de se prejudicarem. "As empresas não querem aparecer porque acham que vão se queimar com o governo ou sofrer represálias", conta um representante setorial.

Cadê o dinheiro?
Ainda em relação aos atrasos nos pagamentos do Minha Casa Minha Vida, o mesmo representante setorial tenta descobrir o porquê de o governo não pagar. "Só pode ser porque acabou o dinheiro ou se atrapalharam bastante. Sinceramente, não sei. O que sei é que não é culpa da Caixa Econômica Federal nem do Banco do Brasil. A questão é com o Tesouro Nacional mesmo", acredita.

Só tem nome
Segundo um representante do mercado imobiliário do Nordeste, houve uma grande decepção com a qualidade dos imóveis entregues pelas construtoras de capital aberto nos últimos anos, em vários Estados da região. O problema maior, segundo ele, é que isso prejudicou a relação dos clientes com as construtoras locais, pois aumentou a desconfiança sobre elas, que são menores e, na teoria, têm menor capacidade técnica em relação às grandes de capital aberto.

BATE-ESTACA
"Isso é delírio"
Um professor de uma tradicional universidade paulista questiona estudo que revela que os chamados "prédios verdes" já atingem 10% do total do PIB de edificações no Brasil. "Não chega a 10%. Isso é delírio. Não acho que tem a menor chance disso ser verdade. Porque você teria que ver o seguinte: a cada dez prédios, um deveria ter alguma coisa do tipo (de sustentabilidade), mas não tem nada", discorda.

Ufa, acabou!
Um diretor de uma imobiliária do Nordeste comemora o término das obras dos estádios da Copa do Mundo em sua região, pois agora há novamente mão de obra para as construções imobiliárias. "Após a Copa, toda essa mão de obra ficou sem emprego. Conseguimos voltar mais ou menos à normalidade e as obras vêm num ritmo bom", afirma.

A massa desandou
Na contramão do segmento de equipamentos, os materiais utilizados para a execução de fundações profundas registraram pouco ou quase nenhuma evolução nas últimas décadas. Na avaliação de uma fonte ligada ao setor, o concreto aplicado hoje é praticamente o mesmo que o usado há 40 anos. "Para piorar, as concreteiras estão diminuindo a quantidade de cimento e tentando compensar essa redução usando aditivos químicos", alerta.

Filme repetido
A grande oferta de equipamentos para execução de estaca-hélice contínua monitorada também preocupa o setor. O temor dos empresários do ramo é que, assim como aconteceu com outras soluções e serviços (como as estacas Strauss, por exemplo), o sistema seja banalizado. "Trabalhamos com Strauss desde a década de 1950, mas há mais de dez anos nossos equipamentos estão encostados. Ninguém quer pagar o preço justo. Esse filme está se repetindo, agora com a hélice contínua", afirma o diretor de uma empresa do setor.

 

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