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Edição 164 - Março/2015
HARYADI CH/SHUTTERSTOCK
Mantida a atual situação econômica, dirigente setorial acredita que setor da construção também pode iniciar demissões em massa

Descontão

Algumas incorporadoras muito endividadas estão vendendo fatias de 50% a 75% de seus empreendimentos para gestoras de private equity. A venda é feita "no atacado", isto é, em pacotes com cerca de cinco a 15 projetos imobiliários, e o valor da negociação chega a ser até 50% menor do que o preço dos imóveis praticado nos estandes. A operação é uma alternativa para agilizar a entrada de caixa em meio à queda na velocidade de vendas. Já nos bancos, a rolagem de dívidas se tornou mais cara e restrita por conta do ciclo de alta dos juros.

SUS ou SOS?
"A perda de margem é dura, mas se tornou questão de sobrevivência para essas empresas", afirma o sócio-diretor de uma gestora de private equity. "Nós chegamos a atender três diretores de incorporadoras num só dia. Parecia fila do SUS", ironiza. Por trás desses investimentos estão fundos estrangeiros em busca de ativos cotados em baixa no Brasil, mas com bom potencial de retorno no longo prazo.

Lava Jato
Dentre as incorporadoras que já fecharam negócios estão alguns grandes nomes do setor, inclusive listados na bolsa. Outros que já sinalizaram interesse são os braços imobiliários de construtoras investigadas pela Operação Lava Jato. Sem crédito na praça, as holdings estão buscando reforçar o caixa como podem, inclusive com a venda de projetos de incorporação.

Recessão em escala
O funcionário de uma das grandes empresas de maquetes da Grande São Paulo contou que os sinais da recessão estão cada vez mais evidentes também no universo das representações de empreendimentos. Sem encomendas e com a expectativa de que não haverá lançamentos vultosos em 2015, o proprietário da empresa já dispensou alguns maquetistas e não conseguiu tranquilizar o restante dos funcionários. "Se não tiver lançamentos, vou ter que demitir mais."

BATE-ESTACA

A crise vem a ... caminhão
Muito antes de qualquer dado econômico ser divulgado oficialmente, ainda em dezembro de 2014, o proprietário de uma distribuidora de sacarias para obras já estava mais do que preocupado - e irritado. "A presidente fala que a economia vai bem, mas até o começo do ano (de 2014) eu vendia quatro carretas de cimento por dia. Hoje comemoro quando vendo uma e meia", esbravejou. A queda abrupta nas vendas o obrigou a demitir cinco dos 13 motoristas que tinha e a expectativa era de mais cortes.

Tem crédito, mas tá caro
A Caixa elevou em fevereiro os juros do Construcard, linha de crédito destinada a consumidores interessados na compra de materiais de construção e reformas. A notícia foi como água no chope da indústria e dos varejistas de materiais, que esperavam recuperação do faturamento em 2015 após o recuo de 2014.

Mais Cortes Menos Valores (MCMV)
O conjunto de medidas anunciadas pelo Governo Federal para cumprir a meta de superávit fiscal em 2015 tem arrepiado construtoras que atuam no Minha Casa Minha Vida. O temor é que os cortes no orçamento cheguem aos programas sociais, assim como já ocorreu no caso da redução dos benefícios trabalhistas.

Projeto sem fim
Um projetista de fachadas conta que não consegue se livrar de uma determinada obra. Ele relata que nunca foi ouvido ao alertar seguidamente a construtora sobre desrespeito ao projeto e problemas na execução. Agora, mais de três anos depois da entrega, o revestimento continua dando os mesmos problemas. E a construtora continua atribuindo a responsabilidade ao projetista, que não aguenta mais visitar o empreendimento - sem ser pago. Mas há uma justificativa para o não pagamento: "é meu nome que assina o projeto e a construtora é grande e me contrata para outros trabalhos", lamenta.

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