Bombas e misturadores | Construção Mercado

Gestão

Como comprar

Bombas e misturadores

Por Aline Mariane
Edição 165 - Abril/2015

Foto: Marcelo Scandaroli
Equipe precisa conhecer bem as características do concreto requisitadas pelo projetista

As bombas e os misturadores podem ser comprados ou alugados pelas construtoras. Em qualquer um dos casos, é preciso ficar atento à qualidade dos equipamentos e ao serviço prestado pelas empresas fornecedoras, pois problemas na preparação do concreto podem comprometer as estruturas do empreendimento em construção.

O misturador - onde se junta água, cimento e agregados para formar uma mistura homogênea - é composto por betoneiras com eixo horizontal ou vertical. Existem betoneiras de eixo vertical que giram em torno do próprio eixo e outras que fazem um movimento de translação, chamadas planetárias.

O professor de Materiais de Construção da Universidade Mackenzie, Eduardo Ioshimoto, alerta que o agregado graúdo pode ir para o fundo do equipamento quando misturado nas betoneiras horizontais, fazendo com que os materiais acabem segregados. "Normalmente, em uma indústria de pré-moldados, a betoneira de eixo vertical é mais resistente na mistura", orienta o professor.

A bomba - que manda o concreto para o local onde a estrutura será construída - funciona com sistema de pistão. Há bombas que podem ser acopladas a um caminhão, enquanto outras não. A capacidade de bombeamento por hora varia de 5 m³ até 40 m³. Quanto maior a capacidade da bomba, mais concreto ela consegue lançar dentro de um período menor de tempo.

Comercialização
A prática mais comum no mercado é a locação dos equipamentos de concreteiras, pois o custo de aquisição é alto. Nos casos em que a obra demanda o manuseio de uma quantidade muito elevada de concreto, a aquisição pode ser mais barata do que o aluguel. Essa situação, porém, não é tão comum. "Seria preciso um volume muito grande de concreto para compensar a compra desse equipamento, que é de alto custo", pondera Daniel Okai, diretor de engenharia do Grupo Feller, empresa de São Paulo que atua nos ramos de incorporação, engenharia e hotelaria.

A locação de bombas e misturadoras também é bastante comum porque implica menos riscos operacionais do que a compra. "Se o equipamento que compramos quebra, a responsabilidade pelo vencimento do concreto é nossa. Então, acabamos assumindo muitos riscos que não compensam", observa Okai. Já se a bomba ou o misturador forem alugados, a responsabilidade pela manutenção é da concreteira, explica o diretor. Logo, ela deverá fornecer o concreto novamente para repor aquele que foi perdido por conta de uma eventual falha técnica do equipamento no canteiro.

Antes da locação ou da compra, a construtora deve verificar a idoneidade da fabricante ou da concreteira. Na locação, é importante checar o histórico de obras da concreteira e solicitar um laudo dos equipamentos em que deverão constar informações sobre a idade dos itens e as últimas manutenções. Caso a construtora contrate tanto o equipamento quanto a mão de obra, é preciso deixar claro em contrato as responsabilidades de cada uma das partes.

Especificações e teste
A equipe destacada para a execução do serviço deve ter em mãos os requisitos feitos pelo projetista sobre as características esperadas do concreto. Ao longo da obra, a construtora deve acompanhar o trabalho de preparação do concreto para garantir que esses requisitos sejam alcançados.

Um dos ensaios básicos desse controle é o teste de slump, utilizado para analisar a fluidez do concreto. Por exemplo: se a construtora contratou um slump de valor 10, a variabilidade admitida é de 2 pontos para mais ou para menos, ou seja, de 8 ou 12. Se estiver fora dessa faixa, o concreto deve ser recusado. "Se ele está abaixo de 8, isso caracteriza uma dificuldade na trabalhabilidade do concreto, na vibração. Se estiver acima de 12, provavelmente foi usado algum aditivo, ou até água a mais. E isso também compromete a resistência do concreto", explica Okai.

Cotações e preços
No caso da compra dos equipamentos, a construtora poderá dividir o valor em parcelas mensais. No caso do aluguel da bomba e do misturador juntamente com a mão de obra, normalmente os pagamentos são realizados 28 dias fora a quinzena. Ou seja, durante 15 dias todo o fornecimento é resumido numa fatura que é paga depois de 28 dias. Então, na primeira concretagem, a construtora terá 43 dias para fazer o pagamento da concreteira.

"Na região em que atuamos, a primeira coisa que olhamos no concreto não é o preço. São questões de especificações técnicas do próprio concreto e idoneidade da concreteira", afirma Mário Augusto Bandeira, diretor de suprimentos da FR Incorporadora, de Goiânia, que mantém esse procedimento de pagamento.

De acordo com o diretor de suprimentos do Grupo Feller, há uma vantagem com relação ao aluguel dos equipamentos em vez da compra na negociação dos preços. "As concreteiras utilizam o bombeamento para compor o preço do concreto deles. Então, muitas vezes, conseguimos que eles baixem o valor do metro cúbico ao baixar o valor da bomba", explica.

NORMAS TÉCNICAS

NBR 14.931:2004 - Execução de Estruturas de Concreto - Procedimento
NBR 8.953:2009 - Versão Corrigida:2011 - Concreto para Fins Estruturais - Classificação pela Massa Específica, por grupos de resistência e consistência
NBR 12.655:2015 - Versão Corrigida:2015 - Concreto de Cimento Portland - Preparo, controle, recebimento e aceitação - Procedimento

CHECKLIST

- Verificar a idade dos equipamentos a fim de garantir sua durabilidade;
- Caso não compre a bomba ou o misturador, especificar em contrato as responsabilidades da concreteira e da construtora;
- Antes de aceitar o concreto bombeado, verificar se ele segue as especificações necessárias, fazendo um teste de slump;
- Especificar em contrato a forma de pagamento, geralmente 28 dias após a realização da primeira quinzena de concretagem;
- No caso de compra de equipamento, realizar manutenções neles após cerca de dois anos de uso.

Destaques da Loja Pini
Aplicativos