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Edição 166 - Abril/2015
MARCELO SCANDAROLI
Atrasos de pagamentos no Minha Casa Minha Vida foram apenas um ajuste de fluxo dos recursos do programa, na avaliação de fonte do Governo Federal

Novo foco (1)
Diante da demora nos pagamentos no Minha Casa Minha Vida, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil (CBIC) chegou a sugerir, durante reunião interna, a paralisação total das obras na faixa 1. A intenção, segundo uma fonte ligada à entidade, era convencer o governo a rever suas políticas de atuação nesse mercado. "As empresas estão demorando até 90 dias para receber. Hoje, a melhor situação é das construtoras que não atuam na faixa 1", reclama.

Novo foco (2)
Mas, segundo a mesma fonte, a iniciativa de deixar a faixa 1 do MCMV poderia ter efeito contrário para as empresas. "Talvez seja justamente isso que o governo quer, por estar sem dinheiro no caixa neste momento." A palavra de ordem entre as companhias do setor, conta o empresário, é não lançar mais nada nesse segmento, já que antes do final do ano não se conta com a estabilização dos pagamentos.

CVM
A exigência de exclusividade de investidores qualificados na comercialização dos novos condo-hotéis, instituída pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), coloca entraves para o desenvolvimento de produtos fora do eixo Rio-São Paulo, na opinião de um representante do setor no Nordeste. Pelas regras atuais, os quartos e as cotas só podem ser ofertados a investidores que façam aporte mínimo de R$ 300 mil na oferta. Isso pode inviabilizar a comercialização de unidades nas regiões onde o tíquete médio do ativo é mais baixo, como é o caso das capitais nordestinas.

Virando suco?
A baixa atividade da construção civil traz à tona um velho fantasma do setor: o risco de paralisação no desenvolvimento tecnológico e, consequentemente, a migração de engenheiros para outras áreas, segundo uma fonte ligada à indústria. "Se o setor parar, viveremos novamente todas as dores da descontinuidade dos programas habitacionais. Além de ficarmos mais longe de zerar o déficit de habitações, também sofreremos com a saída de profissionais altamente capacitados para outros setores, como ocorreu na década de 1980", teme.

BATE-ESTACA

Funding
O forte volume de saques da caderneta de poupança surpreendeu integrantes da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip). Há pouco tempo, a entidade dizia que o funding para compra e construção dos imóveis estava garantido até o fim de 2016. Com a mudança brusca no cenário, essa projeção caiu para o início do ano que vem.

Mutuários
A fuga de recursos da caderneta, no entanto, é só a ponta do iceberg. A deterioração do quadro macroeconômico brasileiro vem arrefecendo a demanda por imóveis e, consequentemente, a demanda por crédito. A projeção oficial da Abecip para o volume de financiamento em 2015, anunciada em janeiro, era de alta de 5,0%. Agora, já se admite timidamente que pode ser só a metade desse porcentual.

Público-privado (1)
A primeira Parceria Público Privada (PPP) de Habitação Social do Brasil, com o objetivo de construir 14,1 mil moradias no centro expandido de São Paulo, ainda é vista com desconfiança por empresas do Estado. "Muita gente está pagando pra ver o resultado", diz um representante do setor. Dos quatro lotes oferecidos para concorrência no ano passado, apenas um recebeu proposta - de uma empresa com sede em Minas Gerais, escolhida como vencedora.

Público-privado (2)
Parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo, a PPP foi anunciada em 2013, prometendo 20 mil unidades. Um ano depois, devido à escassez de terrenos, a meta foi reduzida para 14,1 mil. E, na primeira tentativa, apenas 3.683 moradias foram contratadas. O Governo Estadual prometeu no fim de março correções no modelo de concorrência, que deve ser levado à Região Metropolitana e ao interior. "Tenho certeza de que haverá muito mais concorrentes no próximo lote", diz a fonte.

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