Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba têm dificuldades em atrair investimentos em meio à crise para o perímetro das operações urbanas, mas áreas ainda são vistas como promissoras | Construção Mercado

Negócios

Operações urbanas consorciadas

Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba têm dificuldades em atrair investimentos em meio à crise para o perímetro das operações urbanas, mas áreas ainda são vistas como promissoras

Por Circe Bonatelli e Gustavo Coltri
Edição 167 - Junho/2015

A piora da economia brasileira e o momento conturbado para novos investimentos imobiliários esfriaram o andamento das Operações Urbanas Consorciadas (OUCs) no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Curitiba. A Construção Mercado visitou as principais operações em desenvolvimento no Brasil, e o cenário encontrado foi de desafios.

As OUCs - instituídas pelo Estatuto da Cidade, de 2001 - têm o objetivo de criar mecanismos para desenvolver a infraestrutura de bairros deteriorados ou pouco aproveitados e atrair novos empreendimentos residenciais e comerciais que atendam à demanda da população. Para isso, o Poder Público amplia os potenciais construtivos dos terrenos e comercializa esse "estoque virtual" por meio da emissão e venda no mercado financeiro de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs) a empresários e investidores. O mecanismo é bastante promissor, mas nem ele é capaz de ficar imune à crise generalizada no País.

Na Operação Porto Maravilha, criada em 2009 no Rio para revitalizar a antiga região portuária, os projetos imobiliários já começaram a sair do papel, mas ainda estão dispersos. Há obras em execução, no entanto a maioria está em fase de licenciamento ou teve o lançamento adiado. Dentre os projetos em andamento, o predomínio é dos edifícios corporativos. Em paralelo, a escassa infraestrutura de serviços tem inibido o lançamento de prédios residenciais. As únicas obras em pleno vigor são as de infraestrutura urbana, pois os investimentos públicos foram viabilizados graças a uma operação financeira que garantiu, em 2011, a compra de todos os 6,4 milhões de Cepacs por um fundo operado pela Caixa Econômica Federal.

A situação é diferente em São Paulo. A cidade teve papel protagonista ao estruturar as OUCs Faria Lima e Água Espraiada na última década, as primeiras do País, mas atualmente tem dificuldades para impulsionar a OUC Água Branca, criada em 2013. O primeiro leilão de Cepacs, em março, teve pouco interesse de empresários e investidores, que estão cautelosos e optaram por não desembolsar recursos para novos projetos neste momento. Sem esses recursos, as obras públicas previstas para os bairros da Água Branca e da Barra Funda ainda não deslancharam. O valor dos Cepacs considerado caro por empreendedores pode ser um entrave aos lançamentos, porque a compra dos títulos pressiona para cima o custo dos projetos. Esse problema visto em São Paulo também vem ocorrendo em Curitiba, na Operação Linha Verde.

As próximas páginas mostram como o mercado imobiliário está se comportando no perímetro abrangido pelas operações nessas três praças e em outras cidades que estudam implantar OUCs. As reportagens também mapeiam os eixos com maior potencial de crescimento imobiliário - algo que só deveremos ver no longo prazo.

Leia mais:
Em São Paulo, setor aguarda revisão de preços de Cepacs na operação urbana consorciada Água Branca. Faria Lima pode ter novas emissões de títulos e Água Espraiada espera obras
Conjuntura econômica e desafios da renovação urbana retardam desenvolvimento imobiliário no Porto Maravilha
Operações urbanas consorciadas ainda enfrentam dificuldades de viabilidade no País

Destaques da Loja Pini
Aplicativos