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Edição 170 - Setembro/2015
 

MARCELO SCANDAROLI
Obras viárias estão entre as contrapartidas mais comuns no País

Assim, não!
Embora amistosos no discurso oficial, executivos não poupam críticas a algumas contrapartidas exigidas pelo poder público em grandes obras. Em uma recente reunião informal na sede de uma grande incorporadora, profissionais paulistas consideraram abusivos os pedidos de investimento em melhorias ou equipamentos públicos que não têm o objetivo de mitigar os impactos viários e ambientais dos empreendimentos, como a construção de ruas, habitações e até escolas em bairros afastados da edificação que motivou os gastos.

Represálias
Um dos presentes no encontro disse preferir acatar silenciosamente as demandas das prefeituras, com medo de represálias. Segundo ele, os reclamões costumam enfrentar dificuldades nos licenciamentos: "Deixam os projetos parados", desabafa.

Crédito suspenso
A Caixa Econômica Federal não tem data para voltar a oferecer o Plano Empresário, linha de financiamento para produção, suspensa desde março. A retomada depende de melhora da economia nacional, baixa da taxa Selic e neutralização dos saques da caderneta de poupança. Nos próximos seis meses, portanto, nem pensar.

Piada?
Os descontos generosos que companhias do Sudeste vêm anunciando para liquidar estoques são vistos com desconfiança por um executivo de Salvador: "Temos de trabalhar com o custo baixo e agregar o valor. Imagine dar 30% ou 50% de desconto, como, em São Paulo, algumas empresas estão dando. Isso não existe! Damos risada disso aqui, em Salvador".

BATE-ESTACA
Ajuda divina
Um hotel de luxo que costuma hospedar artistas famosos em São Paulo apresentou problemas sérios de deformação de lajes no subsolo. O problema era tão evidente que a maioria dos planos estava acima dos limites de norma. "Os erros de execução foram grotescos. As armaduras negativas estavam totalmente deformadas, exigindo técnicas de reforços com fibra de carbono", conta um especialista em recuperação estrutural. Segundo ele, problemas estruturais em lajes não são raros. "As lajes só não caem porque existe a Nossa Senhora do Concreto."

Dinheiro na mão...
Um projetista do segmento de infraestrutura conta que não estão faltando projetos para sua empresa. O que está faltando, no entanto, é dinheiro. "Apesar da crise, não podemos nos queixar, pois os projetos estão chegando, o que está demorando para chegar é o pagamento. Quando a gente se dá conta, o caixa está vazio", afirma. "Pelo menos sabemos que uma hora o dinheiro chegará."

Cimento X concreto
Um especialista em recuperação de estruturas observa que o Brasil é um dos poucos lugares onde o cimento é considerado produto, e o concreto, subproduto. "Basta ver quem ganha mais na cadeia: as cimenteiras ou as concreteiras? Em qualquer outro lugar do mundo essa caracterização é inversa."

Excesso de empreiteiros
Um engenheiro lembra que muitos erros na execução de obras estão ocorrendo em virtude do excesso de empreiteiros nos canteiros. "Hoje, a obra inteira é empreitada, e não há fiscalização do serviço executado. Já acompanhei uma obra em que o pilar estava rachando por falta de uso de neoprene. O empreiteiro se recusou a esperar que o produto chegasse à obra", conta.

 

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