O que impede a roda de girar? | Construção Mercado

Editorial

O que impede a roda de girar?

Edição 190 - Maio/2017
Marília Muylaert

A estagnação do país transcende a questão econômica e política. Passa, indiscutivelmente, pelo colapso de modelos arcaicos que em meio à primavera de consciência da população parecem saltar aos olhos. A cada dia, torna-se mais evidente a necessidade das reformas. Corrigir distorções, modernizar a legislação e garantir o equilíbrio fiscal são os elementos básicos para gerar condições sustentáveis de retomada de crescimento a curto, médio e longo prazo.

No dia 12 de abril, uma série de instituições que representam o setor da construção civil divulgou um manifesto a favor das reformas que julga necessárias para o avanço do país, como a previdenciária e a trabalhista. O documento é assinado em parceria com os setores da indústria, comércio e serviços e reúne 23 entidades que representam grande porção do PIB nacional. "Essas reformas são absolutamente necessárias e inadiáveis para o desenvolvimento do Brasil", defendeu na ocasião José Roberto Bernasconi, presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Sinaenco). No que tange a construção, impacta diretamente a renovação premente da legislação trabalhista. O documento intitulado "Reformar para Mudar" evidencia essa necessidade: "A relação capital-trabalho amadureceu, evoluiu. Os empregados de hoje sabem se organizar, dialogar e negociar com seus empregadores. Para respeitar essa capacidade, ao invés de subestimá-la, é preciso atualizar a velha CLT; adaptá-la à realidade; romper paradigmas; garantir segurança jurídica ao acordado. E, assim, ampliar a oferta de empregos para nós, nossos filhos e netos."

 

" Corrigir distorções, modernizar a legislação e garantir o equilíbrio fiscal são os elementos básicos para gerar condições sustentáveis de retomada de crescimento a curto, médio e longo prazo. "

 

Esta edição traz na capa outro tipo de reciclagem: a dos resíduos sólidos da construção. Embora aparentemente setorizado, o assunto impacta diretamente a vida dos brasileiros, principalmente em relação às futuras gerações. Descartes de canteiros representam cerca de 50% do material sólido urbano produzido no Brasil. Dois exemplos, em Minas Gerais e Goiás, mostram que o investimento na gestão do material no próprio canteiro - com planejamento de logística ambiental - é mais vantajoso se comparado aos casos em que o processo é feito fora da obra.

Tempo de pensar no hoje, tempo de pensar no amanhã. Sem dúvida, colhemos o que plantamos. É de se pensar.

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