BDI: Caminho do lucro? | Construção Mercado

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BDI: Caminho do lucro?

Edição 6 - Janeiro/2009
Reportagem Mariuza Rodrigues
Formulação da taxa de benefícios e despesas indiretas deve considerar as características da empresa e do tipo de obra
A composição do BDI (Benefícios e Despesas Indiretas) é fundamental no processo de formulação de uma proposta comercial, pois incorpora todos os gastos que não estão diretamente relacionados à obra além do próprio lucro do construtor. Mas como as empresas formulam seus índices de BDI? Isso é praticamente um segredo de Estado. Poucas empresas estão dispostas a divulgar seu modelo com receio da concorrência. Segundo especialistas, essa medida revela também um outro lado. Algumas empresas não conseguem apropriar detalhadamente seus custos indiretos. Como isso é possível? São empresas que vêm aplicando uma taxa de BDI sem nunca terem se aprofundado no levantamento total desses custos que, por enquanto, estão dentro do espectro de mercado. Mas até quando?

Segundo Paulo Vilela Dias, presidente do Instituto Brasileiro de Engenharia de Custos, BDI é um termo originado do inglês Budget Diferente Income e no Brasil acabou por determinar a taxa de lucro das empresas, sendo aplicado em vários setores produtivos. Vilela dedicou um capítulo inteiro para a formulação do BDI em seu livro "Engenharia de Custos - Uma Metodologia de Orçamentação para Obras Civis". Essa taxa, para a construção civil, representa a soma de todas as despesas indiretas, necessárias para a administração da obra incluindo o benefício ou lucro do construtor.

Como despesas indiretas pode-se alavancar uma série de itens assim classificados: Administração Central, Administração Local, Custos Financeiros, Transporte de Pessoal, Custos Comerciais e Encargos Fiscais. Tanto o custo direto como o indireto são sempre calculados por projeto ou orçamento. Somente o resultado estimado não é custo efetivo do contrato. Segundo Vilela Dias, esse percentual varia de 5 a 12% do faturamento, mas de maneira nenhuma é possível predeterminar ou generalizar os índices que compõem o BDI para o mercado.

Para formular a taxa é fundamental lançar mão de recursos da engenharia de custos para levantar o peso de todos esses itens. A taxa de BDI deve levar em consideração ainda outras particularidades da administração e da estrutura financeira de cada empresa, como porte, área de atuação, saúde financeira, estimativa de ganhos durante o período, nível da mão-de-obra empregada. Em geral, a formulação da taxa de BDI é dada pela soma do custo indireto e do resultado, dividido pelo custo direto da obra.


Hoje, as empresas têm à disposição alguns modelos básicos de cálculos de custo que se mesclam e podem facilitar o levantamento dos itens que compõem a taxa de BDI permitindo uma avaliação consistente dos custos tanto de uma obra quanto da empresa. Mas são modelos que precisam ser moldados à estrutura de funcionamento de cada empresa. "O BDI é uma taxa que nunca pode ser predeterminada. Ela deve atender às características da obra, da empresa e do tipo de contrato", explica Paulo Roberto Vilela Dias, que ministra também a disciplina Engenharia de Custos, para o Mestrado em Engenharia Civil da Universidade Federal Fluminense.

Na opinião do consultor Mozart Bezerra da Silva, que ministra o curso "Como Compor BDI", pela editora Pini, o crescimento da competitividade está fazendo com que as empresas procurem não somente obter melhor desempenho na parte construtiva, mas também aperfeiçoar todo o processo de apropriação de custos, utilizando os recursos oferecidos pelos sistemas financeiro e matemático. "A combinação desses recursos permite maior exatidão com respeito às despesas indiretas, melhorando a estimativa sobre os ganhos", afirma o consultor Mozart Bezerra. Para a tecnóloga e estudiosa no assunto, Ana Flora Anacleto, as empresas não empregam todo o conjunto de cálculos disponíveis por falta de conhecimento. "Em geral elas ficam no meio do caminho", diz ela. "Não é que seja difícil, mas com certeza é trabalhoso", diz Paulo Roberto Vilela Dias. No entanto, afirma Vilela, o estudo mais aprofundado do BDI "gera uma radiografia da estrutura administrativa e também executiva da construtora, diagnosticando possíveis ralos de desperdício".

Levantamento detalhado
Mapear a estrutura de funcionamento da empresa e levantar todas as despesas indiretas são fundamentais na hora de formular o BDI. Isso é realizado a partir de planilhas, criadas de forma a atender a todos os custos empreendidos pela empresa não relacionados diretamente à obra (veja modelos). Paulo Roberto Vilela Dias propõe a criação de algumas planilhas separadas dos serviços de orçamento, resumo do orçamento, cálculo do BDI, cálculo da mobilização e desmobilização da obra e cálculo da administração local. Esta também deve ser subdividida em Pessoal e Encargos Sociais, Despesas Gerais, Aluguel de Equipamentos, Móveis e Utensílios, Resumo dos Impostos sobre o Faturamento e Imóveis e Construções Provisórias. A partir daí será possível avaliar o custo de tais despesas, em período que pode ser anual ou mensal. As despesas do escritório, segundo o consultor Francisco de Lara, praticamente são imutáveis. "Durante muitos anos acompanhei as despesas de escritório de empresas industriais e por mais que se tirasse um pouco daqui, ele ressurgia do outro lado, permanecendo sempre no mesmo nicho", revela o professor. E explica dizendo que as despesas indiretas, na verdade, são uma espécie de DNA. "A menos que a empresa diminua de tamanho, sua estrutura inicial dificilmente poderá ser mudada."

Um dos custos que mais afetam a construção, na opinião de Vilela Dias, está relacionado à mobilização e desmobilização dos equipamentos. "Esse custo deverá ser calculado em função da localização da obra, considerando-se as dificuldades encontradas pelo transporte", diz o estudioso. Vilela cita o caso, por exemplo, de um equipamento de grande porte que necessite ser montado e desmontado, que exige o uso de dois ou três veículos de transporte. Essa quantidade é definida em função da análise do edital ou projeto e o seu cálculo pode (e deve) adotar uma metodologia própria, sugerida por Vilela, cujos os princípios se aplicam ainda à mobilização e desmobilização do pessoal - locomoção do pessoal até o local da obra - e para a mobilização de ferramentas e utensílios, tais como contêiner, casa pré-fabricada para canteiro, EPI.


Mobilização e Desmobilização
Equipamentos = Custo horário de transporte em carreta própria X quantidade de horas necessárias ao transporte das máquinas

Desmobilização de pessoal = Quantidade de funcionários X preço do deslocamento de cada funcionário

Desmobilização de utensílios = Custo horário de transporte em veículo próprio X quantidade de horas necessárias ao transporte dos utensílios

É fundamental ainda que a apropriação dos custos indiretos considere o vulto da obra e o dimensionamento correto de toda a estrutura de apoio necessária à execução do empreendimento, o que engloba a dimensão do canteiro de obras e da administração direta local, dos veículos de apoio e das despesas gerais de manutenção dos escritórios da obra (comunicação, alimentação, segurança do trabalho, taxas e emolumentos, entre outros); da administração central; impostos; encargos financeiros além do benefício estimado. Uma vez concluída a definição da estrutura administrativa da obra, é possível realizar o levantamento do custo, a partir da soma de todos os itens.

No caso da administração central, o custo deverá ser rateado entre todos os contratos em andamento da empresa. Esse custo é estipulado pela empresa e envolve os gastos referentes à diretoria, departamentos, aluguel, móveis, água e esgoto, por exemplo. De acordo com Paulo Vilela, é comum considerar-se incluído neste tópico os custos referentes às taxas diversas, como IPTU, alvarás, seguros. "Esse custo da administração central (AC) pode ser adotado sobre o custo ou sobre o preço de venda, o que for mais conveniente para o orçamentista", diz ele.

Custo direto:
AC = custo mensal ou anual da sede
custo total (obras + sede)
mensal ou anual
Preço de venda:
AC = custo mensal ou anual da sede
faturamento mensal ou anual

Impostos
O cálculo das taxas e impostos requer cuidados relativos ao local e tipo do empreendimento, itens que podem modificar a composição dos custos. Em geral, calculam-se os seguintes impostos: ISS (Imposto Sobre Serviço); Cofins; PIS, CPMF, IRPJ (Imposto de Renda sobre Pessoa Jurídica) e a Contribuição Social Sobre o Lucro. Paulo Vilela alerta para atenção extra com respeito aos percentuais fixados para quem optar pelo lucro presumido aos seus associados. Esses percentuais variam de acordo com a modalidade em que se encaixam os tipos de serviço e entre elas estão as atividades imobiliárias, empreitada global e administração de obra. É importante lembrar ainda que impostos como ICMS e IPI não são incluídos na categoria de despesas indiretas por incidir sobre o preço dos materiais. Também os encargos sociais são aplicados sobre a folha de pagamento, isto é, são incorporados aos salários. O estudioso alerta sobre a necessidade de se realizar uma análise detalhada do risco da atividade em cada contrato, tendo por base o maior conhecimento possível sobre o projeto. "Os chamados custos eventuais ou imprevistos são adotados em estimativas de custos quando não estão disponíveis as informações necessárias ao cálculo detalhado do orçamento", diz Paulo Vilela. Ou ainda visando cobrir a parcela de custo desconhecida em função da precariedade das informações.


Riscos
Para o consultor Mozart Bezerra da Silva, o cálculo dos riscos na construção merece um capítulo à parte. E atenção redobrada. "O mercado costuma adotar um tratamento superficial sobre esse assunto, que consiste em levantar os custos de produção com bastante folga, regulando o resultado final a ser obtido através de ajustes na taxa de BDI. Com isso, acaba adotando grandes coeficientes de segurança sobre o custo de produção para poder desprezar os riscos e abaixar a taxa de BDI. Ele alerta que a redução das margens de lucro faz com que as empresas fiquem "frente a frente" com a possibilidade de sofrer perdas inesperadas. E propõe uma classificação de riscos, que pode ajudar a calcular, de fato, os imprevistos de uma obra. No caso de "risco de força maior", os riscos se caracterizam como perdas de grande monta, impossível de ser estimada a intensidade de sua ocorrência. Tais riscos devem ser resolvidos juridicamente. "Caso fatores de mercado obriguem a aceitação de risco dessa natureza, caso não haja possibilidade de contar com algum seguro, deverão ser tratados como risco conjuntural." São riscos relativos a eventos naturais (inundações), eventos econômicos (novos impostos) e eventos humanos (saques). Estes riscos devem ser separados e tratados sob uma negociação adequada com os contratantes.

Devem ser nomeados ainda os riscos prováveis, que têm grande probabilidade de acontecer. É o caso das épocas de chuva, em certas regiões; atraso no pagamento de faturas; descolamento entre o índice que reajusta o contrato e o índice de inflação; baixa produtividade; erros no orçamento. "Estes fatores quase sempre deverão ser automaticamente incorporados aos gastos do contrato. Segundo Mozart, dependendo de sua natureza, o custo destes acontecimentos deverá ser compensando por acréscimo no custo direto de produção e/ou nas despesas indiretas do contrato. Uma vez que se exclua os "riscos de força maior" e incluindo-se "situações previsíveis", resta definir o tratamento matemático a dispensar sobre os eventos aleatórios que poderão acontecer durante o contrato e que, caso ocorram, deverão ser pagos pelo construtor, explica Mozart.


No caso de terem sido estabelecidas metas de custo de produção e de despesas indiretas, pode-se embutir coeficientes de segurança do tipo "verba para contingências" e "verba para benefícios do construtor". São riscos cuja a probabilidade de ocorrência pode ser avaliada por uma companhia de seguros ou pelo próprio construtor, podendo ser definido um valor para cobertura do risco ou um prêmio de seguro. Normalmente são fatores ligados ao canteiro de obras, ao departamento de produção e administração local. A identificação e avaliação desses riscos dependem da experiência de obra e bom senso do construtor. Esses acontecimentos aleatórios deverão ser enfrentados através da provisão de recursos embutida na taxa de BDI sob o título "contingências". O critério, explica Mozart, é inicialmente contratar todos os seguros existentes, lançando o prêmio desses seguros na verba para contingências. Eventos casuais que sejam conhecidos pela experiência do construtor deverão ser orçados, ter sua probabilidade de ocorrência avaliada, e ter seu orçamento multiplicado pela taxa de probabilidade, sendo o valor obtido considerado como prêmio de um seguro "interno" a ser somado com os prêmios das companhias de seguro inicialmente calculados. "A taxa de contingência que tem sido adotada para edificações é de até 3% sobre os custos de produção acrescidos das despesas administrativas e financeiras", diz Mozart Bezerra. O item "risco conjuntural" já inclui as incertezas características do tipo de contrato, do contratante e do construtor. São fatores mais genéricos e difíceis de equacionar que devem ser cobertos por uma margem de segurança geral, a ser aplicada sobre todos os custos e despesas do contrato. Para definir essa taxa devem ser levados em conta o prazo da obra, complexidade técnica, capacitação técnica e financeira do contratante, capacitação técnica e financeira do construtor, estabilidade da moeda e disponibilidade de linhas de crédito e financiamento. Para o consultor, ao dimensionar os custos indiretos da empresa, deve ser dada maior consideração ao chamado Ponto de Equilíbrio, que revela se o dimensionamento da estrutura administrativa e técnica da empresa é equivalente à sua carteira de obras. "Ele é definido como o volume de serviço que as receitas totais de uma empresa igualam seus custos totais em um determinado período. Para empreiteiras de edificações, isto representa a área construída mínima que a empresa precisa contratar durante o ano para não ter prejuízo." Pode ser formulado, sugere Mozart, a partir da equação:


Volume de Serviço = Custo Fixo Periódico
____________________________________
Lucro Líquido p/ Unidade de Serviço


Normalmente, nas análises empresariais, é avaliado pelo período de um ano, particularizando-se a fórmula da seguinte maneira:


Volume de Serviço Anual = Custo Fixo Anual
________________________________________
Lucro Líquido p/ Unidade de Serviço


Mas a abordagem matemática do ponto de equilíbrio, destaca ele, passa ainda pelo aprofundamento da análise sobre as despesas fixas, os custos variáveis com a produção.


Dúvidas mais comuns
De acordo com a tecnóloga Ana Flora, a taxa de BDI deve avaliar bem a modalidade de contratação seja ela por Preço Unitário, Preço Global ou Administração. Na modalidade Preço Unitário, a empresa contratada recebe por preço unitário ofertado, conforme a quantidade executada. Neste caso é usual a apresentação das composições de Preços Unitários, conhecidas como "CPUs" e o detalhamento da Taxa de BDI ou na fase de concorrência ou na contratação da obra ou serviço, explica ela. "Este detalhamento é muito importante, pois cada obra ou serviço tem suas próprias características e tem BDI específico, resultante das condições técnicas de cada obra, ou da legislação vigente, entre outros fatores", conclui. Na modalidade de Preço Global a contratada executa a obra por um preço total assumindo os possíveis riscos. Neste tipo de contratação não é usual a demonstração da taxa de BDI, diz Flora, uma vez que a construtora recebe pelo serviço executado. O BDI é inserido no preço global da proposta. E no caso da empreitada por Administração, as despesas indiretas relativas à administração local da obra são pagas pelo contratante, ficando a cargo da construtora as despesas relativas à administração Central e Benefícios.

Para Celso Ragazzi, diretor de Engenharia da editora Pini, coordenador do livro TCPO (Tabelas de Composições de Preços para Orçamentos), há custos de natureza comercial que decorrem do preparo de concorrências, viagens ao local das obras, montagem de estandes de vendas, publicidade, corretagem, entre outros, além dos impostos, que incidem em diferentes fases da obra - no faturamento, preço final de venda ou sobre os serviços - e podem até confundir os orçamentistas. "Se o BDI é fixado com base em experiências anteriores, desconsiderando tantas particularidades, às vezes temporais, pode estar distorcendo avaliação no orçamentos de obras", afirma.

Na opinião de Antonio Vieira Neto, os atrasos podem alterar muito os custos indiretos, principalmente por parte do contratante, muito comum em obras públicas. Então o contratado é obrigado a manter equipes, instalações e equipamentos por mais tempo, elevando o custo das despesas indiretas. "Nesse caso, é preciso restabelecer as condições da proposta, com uma negociação junto ao cliente, uma vez que ele é o responsável pelo aumento das despesas", diz.

Ponto de discórdia
No caso de obras públicas, os contratantes têm definido previamente as taxas de BDI. Como exemplo, pode-se citar o Dersa (Desenvolvimento Rodoviário). Na concorrência do Rodoanel, o BDI estimado pela companhia é de 35%. Oswaldo Issao Uyemura, gerente da Divisão de Medição e Orçamento do Dersa, lembra que as despesas indiretas de uma obra muitas vezes não estão relacionadas especificamente ao serviço e sim à natureza da empresa, principalmente no caso de construtoras de obras públicas e empresas de projeto que têm BDI diferenciado. "Neste caso, o BDI procura garantir uma base uniforme nas concorrências. Mas, claro que esses custos muitas vezes podem ser reduzidos de acordo com o rateio entre os diversos contratos da empresa." Segundo ele, o valor de desconto oferecido pelas vencedoras da licitação para a obra do Rodoanel, que ficou em torno de 43,0% do valor original, num total de 338,8 milhões (outubro de 1997) com BDI variando de 33% a 41%. Mesmo com os aditivos realizados pelo Dersa - de 236,9 milhões de reais (outubro de 1997), o custo total do Rodoanel ainda será 24 milhões de reais menor do que o custo original previsto pelo Dersa", diz Uyemura. O desconto revela ainda uma outra faceta das empresas na hora de determinar o BDI em concorrências públicas: o interesse em garantir a conquista de um contrato cujo o volume de recursos envolvidos e o prazo de execução garantem uma boa liquidez para a empresa. Oswaldo Uyemura explica que o aditamento de 69,0% em média do valor da obra refere-se a alterações de projeto e acréscimos de quantidades de serviços.


Algumas definições de BDI

Ana Flora:
Preço Unitário = Custo direto X (Benefício + Despesa Indireta)

Paulo Vilela:
% BDI = (Custo Indireto Total + Resultado Estimado) % Custo Direto Total

Antonio Vieira:
Preço de Venda = Preço de Custo X (1+(AL+AC+CF+IMP+B+S+DIV)

1 - (Cofins + PIS + ISS + IR)

AL: Administração Local
AC: Administração da Empresa
CF: Custo Financeiro + inflação + lançamento do empreendimento
IMP: Imprevisto
DIV: Diversos
B: Benefícios
S: Seguros

Mozart Bezerra:
taxa de BDI em contratos de empreitada, considerando o lucro estimado

BDI = [1 + IO (%) + IC (%)] x [1+ F (%) ] x [1 + IP (%) ] x [1 + L (%)] - 1

1- Descontos (%)

sendo Descontos = IR (%) + ISS (%) + PIS (%) + COF (%) + CS (%) + REP (%) + CPMF (%)
IO = Taxa decimal de custo indireto da obra
IC = Taxa decimal do custo indireto central (rateio da sede)
F = Taxa decimal do custo financeiro (acréscimo referente ao juro do capital de giro)
IP = Taxa decimal referente aos fatores imprevistos, as contingências (0 a 3%)

Obs.: O autor propõe modelos diferenciados para compor a taxa de BDI para empreitadas considerando-se as diferentes modalidades de contratação e regime de recolhimento do lucro da empresa
No entanto, esse é um problema muito comum, diz Paulo Vilela. "As empresas reduzem o BDI com a esperança de buscar o aditamento de custos lá na frente." No entanto, a Lei 8.666 impõe diversos cuidados na hora de elaborar a proposta, pois dispositivos impedem a redução das margens de custo e lucro a níveis abaixo do mercado. Na questão redução de custos, a CDHU (Cia. de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) considera a escala dos contratos, oferecidos pela companhia, como o mais forte atrativo para as empresas. Raphael Pileggi, secretário executivo do Programa Qualihab, da CDHU, explica que o preço de licitação dos conjuntos habitacionais da companhia é composto a partir do levantamento dos custos diretos mais o BDI, cujo o índice aplicado atualmente gira em torno de 22%. Ele explica que a CDHU avalia constantemente esses itens e trabalha com a tendência de queda do BDI ao nível de 15 a 13%, possibilitada a partir da incorporação de novos sistemas industrializados. "Há ainda espaço para reduzir os custos", diz ele, avisando que as construtoras devem se preparar para, "daqui a cinco anos, tornarem-se empresas montadoras de sistemas".

O que diz a Lei de Licitações sobre descontos:
Parágrafo 1o (artigo 48, Lei 8.666/93) - Para os efeitos do disposto no inciso II deste artigo, consideram-se manifestamente inexeqüíveis, no caso de licitações de menor preço para obra e serviços de engenharia, as propostas cujos os valores sejam inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores:

a) Média aritmética dos valores das propostas superiores a 50% (cinqüenta por cento) do valor orçado pela administração; ou b) Valor orçado pela Administração.

Despesa no canteiro
Uma pesquisa lançada pela Piniweb compôs um roteiro dos itens que pesam na hora de definir o BDI e revelou o grande interesse do mercado pelo assunto (veja tabelas com respostas). "Foi o melhor resultado já obtido", diz Regina Perez, gerente de Pesquisa do portal. As respostas revelaram a racionalização dos custos indiretos por meio de mecanismos como enxugamento e terceirização. "Esse é o padrão norte-americano, lá 90% das empresas contam com apenas 14 funcionários fixos", diz o consultor Antonio Vieira Neto. Na opinião de Eduardo Zaidan, vice-presidente do SindusCon-SP, as empresas brasileiras já trilharam o caminho da racionalização administrativa e da eliminação do retrabalho na busca por melhor desempenho e redução de custos, outro item determinante na formulação do BDI. É o caso da Racional Engenharia, por exemplo, os custos do escritório central giram em torno de 5 a 7%. "Hoje, as empresas estão muito ajustadas, sendo praticamente impossível reduzir ainda mais o seu número de funcionários", diz Wilson Pompílio, diretor de engenharia da construtora.

Para a construtora Marques, também incorporadora, a bonificação é determinada pelo mercado. "Não adianta impor um preço que o mercado não aceita", diz Flávio Braga, diretor de engenharia. A construtora costuma elaborar um plano contábil para cada obra em que os custos (previsão orçamentária) são definidos conforme etapas de atividades. "Em geral, esses custos ficam em torno de 2% abaixo ou 4% acima do que foi previsto", diz Flávio Marques. Para o engenheiro Rodrigo Martins Ramos, que trabalhou na construtora Schain e está estruturando a área de propostas técnicas da construtora R.A. Pini, um dos maiores problemas relativos à manutenção das despesas indiretas está ligado ao controle dessas despesas por parte do engenheiro de obras. "É comum haver uma falta de sintonia entre a área que elaborou os custos e quem está responsável por eles, principalmente o engenheiro de obras." Outro item preponderante na formulação do BDI é a incidência de encargos fiscais, que podem chegar, dependendo dos vários fatores do contrato, a 38% do custo do empreendimento.


Encargos tributários do BDI














































Impostos Descrição Alíquotas presumidas
ISS Imposto municipal 1 a 5%
Cofins Imposto federal devido sobre a Receita Operacional 3% sobre o valor da nota fiscal
PIS Imposto federal devido sobre a Receita Operacional 0,65% sobre o valor da nota fiscal
CPMF Imposto federal/emissão de cheques 0,38% até 16/06/2002
IRPJ IR aplicados sobre a NF da obra ou
sobre o balanço mensal da
empresa
De acordo com o regime de recolhimento (Lucro Real, Lucro Presumido, Lucro Arbitrado, Simples)
Contribuição Social sobre o Lucro Tributado pelo Lucro Presumido ou Arbitrado é de 12% sobre a Receita Bruta, e de 100% sobre as demais receitas operacionais Tributado pelo Lucro Real é de 9% (Medida Provisória 1858-10 de 26/10/99)
Despesas financeiras Observa as condições de contrato e programa de desembolso DF=((1+t%100)n%30 -1)x100
onde: t = taxa de juros/
n= número de dias corridos
Benefício Percentual aplicado sobre o valor final do orçamento a título de resultado projetado Percentuais variáveis entre 5 e 12% do valor global do orçamento




Fonte: Engenharia de Custos - Uma Metodologia de Orçamentação para Obras Civis
PERSONAGEM

Taxa de BDI e qualidade

Trabalho do consultor mostra adaptação do BDI à realidade do mercado

Mozart Bezerra da Silva, consultor

É possível melhorar a taxa de BDI em tempos de alta de competitividade?
É preciso compreender, primeiro, que a realidade atual representa uma grande mudança no panorama de mercado da construção brasileira, desde que diversos fatores reformularam o conceito de lucratividade, como a estabilidade monetária, as normas ISO 9000, a NR 18. A qualidade, fruto dessa combinação, reduziu os custos numa proporção maior do que o aumento de despesas indiretas que geraram como despesas. Claro que esses investimentos em qualidade são todos componentes do BDI, mas incidem sobre um custo de produção mais baixo, decorrente dos próprios benefícios da qualidade, melhorando a relação entre benefício e despesas indiretas por parte das empresas.

Então quanto mais investimento em qualidade, melhor a taxa de BDI?
O construtor atual pode melhorar a sua competitividade e atingir taxas de desconto de 7,7% em relação aos preços praticados no período do pós-Real, sem perder de vista o nível de qualidade, desde que consiga reduzir os custos diretos em 13,5%, um volume bastante razoável mediante a inserção das melhorias tecnológicas hoje disponíveis.

A alteração do cenário econômico nos últimos 30 anos alterou fortemente a margem bruta dos preços da construção civil. Como ocorreu esse processo?
A época do milagre econômico foi caracterizada por grandes obras. As taxas médias de BDI chegavam a 81%, que embutiam um lucro líquido de 35% sobre o custo direto. É compreensível entender porque, até hoje, alguns confundem lucro com BDI, pois a lucratividade estava em um nível bastante alto. De 1980 a 1994, o mercado começou a exigir um BDI menor, lançando como contra-oferta aos construtores uma taxa de 30%. A manutenção do mesmo nível de lucratividade passou a ser uma missão impossível, o que foi resolvido com aplicações financeiras a taxas superiores a 10% ao mês. Bastava adiantar receitas e postergar despesas. Com a estabilidade da moeda, no auge do Plano Real, e redução do volume de obras, a torneira fechou. O orçamento passou a valer. Foi a hora de rever custos de produção.













































































































Enquete sobre o BDI realizada pela Piniweb em setembro/outubro de 2001
Qual o tipo de empreendimento que você/sua empresa mais constrói/projeta?
Obras públicas -
edificações em geral
edificações em geral
24,15%
Residências unifamiliares 22,93%
Edifícios residenciais 18,54%
Obras industriais 15,12%
Obras públicas - infra-estrutura 9,02%
Centros comerciais 2,44%
Obras públicas - conjuntos residenciais 2,20%
Total de votos na pergunta 410
Para esse tipo de obra, qual é a faixa de BDI que você/sua empresa pratica?
De 20% a 30% 40,69%
De 10% a 20% 31,52%
De 30% a 40% 16,05%
Até 10% 6,59%
Mais de 40% 5,16%
Total de votos na pergunta 349
Que fatores sua empresa normalmente considera para calcular o BDI de cada obra?
Administração local da obra 31,99%
Encargos fiscais 27,64%
Nenhum. Fixo o valor do BDI a partir da minha experiência 27,33%
Todos. Tenho absoluto controle de meus custos indiretos 26,40%
Rateio de custos da administração central da construtora 24,84%
Custos financeiros advindos do fluxo de caixa da obra 16,15%
Transporte de pessoal 15,84%
Custos comerciais do empreendimento 14,29%
Total de votos na pergunta 322
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