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Obras industriais

Obras industriais

Edição 84 - Julho/2008

Ilustração SERGIO COLOTTO

Próximas do limite da capacidade, grandes indústrias começam a desengavetar projetos e provocam boom de obras industriais. Construtoras do setor já falam em recusa de projetos por excesso de demanda.
A vez do boom industrial
A vez do boom de obras industriais
Depois do aquecimento do mercado imobiliário, agora é o setor industrial que, à plena carga, corre para aumentar sua capacidade produtiva e deve provocar um surto de construção de novas fábricas por todo o País. E o melhor: "Cerca de 15% a 20% dos investimentos feitos em expansão da produção, que somam bilhões, são consumidos em obras civis", afirma Amaryllis Romano, economista da Tendências Consultoria.

As cifras impressionam: neste ano, a expansão prevista da capacidade instalada das indústrias é de 11%; para o triênio 2008-2010, esse índice chega a 22% - percentuais recordes registrados nos últimos cinco anos, segundo sondagem da indústria de transformação divulgada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas). Apenas o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) irá desembolsar R$ 70 bilhões prioritariamente na ampliação dos setores de infra-estrutura e indústria brasileiros. "Estamos vivenciando um boom de investimentos no Brasil, motivado pelo ritmo do crescimento, produção industrial e massa de rendimento, que implica a construção industrial", afirma Amaryllis.

Os resultados desse ciclo de investimentos já começam a ser sentidos pela construção. "Tenho clientes que estavam prospectando desde 2005 e que agora decidiram, todos, tirar os projetos da gaveta", conta Leonardo D'Enfeldt, sócio e diretor comercial da Patri Empreendimentos Industriais. Segundo o executivo, o mercado de capitais favorece esse movimento. "Empresas que eram pequenas ou médias estão crescendo em suas infra-estruturas porque estão recebendo mais capital via Private Equity", diz.

Marcelo Hermann, diretor comercial da Time-Now Engenharia, gerenciadora de grandes obras industriais, revela otimismo semelhante. "Podemos falar em dez anos de franca evolução. Já há investimentos anunciados até 2017." Segundo Hermann, as oportunidades para as construtoras são enormes. "Uma única caldeira na área de celulose demanda a construção de um prédio de 12 andares", diz. Ele conta que os projetos previstos envolvem execução de serviços de terraplenagem, preparação do terreno, construção civil e construção civil pesada.

Paulo Sérgio Cordeiro, presidente da ABCIC (Associação Brasileira de Construção Industrializada de Concreto e presidente da Munte Construções Industrializadas), acrescenta outras balizas para a mensuração do que vem por aí. De acordo com o executivo, com capacidade instalada em até 85%, a indústria, em geral, consegue ampliar sua produção em apenas 30% com compra de novos equipamentos e reformas. Mas, a partir disso, é preciso terceirizar parte da produção ou construir novas unidades. E é nessa segunda situação em que se encontra boa parte da indústria. "As empresas estão muito próximas de suas capacidades totais, algumas até já extravasaram e estão desengavetando, às pressas, antigos projetos de expansão", afirma Cordeiro.


Setores aquecidos

Depois de ter atingido, em setembro de 2007, o maior patamar desde janeiro de 1977, o nível de uso da capacidade instalada da indústria brasileira subiu em maio último para 85,6%, o maior neste ano, segundo a FGV. E isso, apesar da entrada em operação de novas plantas. No entanto, especialistas advertem que apenas 20% do que está sendo anunciado deverá se reverter, de fato, em novos projetos.

Os principais setores produtivos que estão aquecendo o segmento de obras industriais são siderurgia, mineração, automotivo, incluindo autopeças, papel e celulose e a cadeia da construção civil (veja detalhes no boxe). Outros setores que se destacam são as indústrias alimentícias, farmacêuticas e de cosméticos. "Há ainda os investimentos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e de toda a infra-estrutura necessária para a Copa de 2014. "Obras industriais é o segmento que mais vai crescer no Brasil. Vem um boom por aí", diz Carlos Monteiro, diretor de engenharia da Votorantim Papel e Celulose.

Segundo Giani Pfister, gerente sênior da construtora Racional Engenharia, os negócios do segmento de obras da indústria que, em 2004, representavam 24% do faturamento da empresa, deverão abocanhar 60% do total de operações da Racional em 2008. Entre seus atuais clientes estão Ford, Hyundai e Sadia. "Teríamos condições de faturar R$ 1 bilhão neste ano, mas o desafio agora é garantir o desempenho, com prazo, custo e garantia prometidos. Por isso, estamos indo com calma", diz.

A Método Engenharia, que retomou a divisão de obras industriais em março do ano passado, também registra crescimento e espera dobrar o faturamento da área neste ano. Atualmente, executa obras para a Votorantim Celulose e Papel, Perdigão e uma indústria gráfica para embalagem.

O desempenho positivo de empresas atuantes nessa área e a perspectiva aberta com o aquecimento em longo prazo já têm atraído profissionais de outros nichos. "Existe já uma migração de construtoras que atuavam só na parte de infra-estrutura e que estão abrindo divisões de obra industrial; outras que se especializaram em pré-moldados, por exemplo, e ainda aquelas do ramo imobiliário que estão tendo excelentes resultados na indústria", diz Marcelo Hermann, da Time-Now.

Os Centros de Distribuição também trazem boas oportunidades. Com leis que proíbem a circulação de caminhões (e até de veículos de cargas menores) nos centros das cidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, as rodovias são alvo estratégico para criação de depósitos de mercadorias. "A cada trecho do Rodoanel anunciado, há uma corrida de empresas de logística à procura de áreas", conta Paulo Sérgio, da ABCIC.


Divulgação Aracruz
A nova unidade da Aracruz demanda obras civis para a construção da fábrica, de toda a estrutura portuária e de transporte hidroviário

Obras de sobra

Com tantas obras à vista, questiona-se a capacidade da construção civil de atender a demanda. "A construção é uma indústria de porte limitado e muito sensível à expansão, e não está preparada para atender essa demanda de obras industriais", diz André Glogowsky, presidente da Hochtief do Brasil, responsável pela construção de dois altos-fornos para a CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), maior projeto do setor siderúrgico brasileiro dos últimos dez anos, com custo estimado em US$ 3,6 bilhões.

É consenso entre os entrevistados que a mão-de-obra especializada tem sido um impeditivo de crescimento de muitas empresas, que já negam contratos por conta disso. "Enquanto uma construtora do ramo imobiliário precisa de quatro, seis engenheiros, nós precisamos de 200, 300", comenta Glogowsky. "E essa proporção também vale para insumos. Tudo é maior na indústria", complementa. A localização dos canteiros também traz desafios: "As obras industriais normalmente estão em lugares remotos onde, para manter bons profissionais, é preciso pagar mais caro. Não dá para fazer muitas obras ao mesmo tempo", diz.

De fato, até mesmo por uma limitação das próprias fabricantes de equipamentos, os projetos de expansão deverão perpassar os anos, em vez de saírem todos de uma vez. Há setores, inclusive, cujas empresas já se planejam de modo a revezar os investimentos em novas unidades. "No ramo de celulose, não há como se construir quatro fábricas ao mesmo tempo, apesar do desejo de cada um dos players, porque não há fornecimento de equipamento suficiente, devido a uma escassez mundial", diz Marcelo Hermann.

De acordo com Mauricio de Castro, diretor da unidade de indústria da Método Engenharia, a questão ambiental ainda é a maior dificuldade para a implantação de uma nova planta. "Os prazos de liberação estão fora do controle." Outro desafio é dar conta da velocidade exigida para levantamento do orçamento. "Os clientes, de uma maneira geral, entraram num desespero e querem orçar tudo muito rápido, mas há um limite para isso, tanto porque não dá para trabalhar a baixo custo num limite extremo de trabalho e de engenharia, quanto porque nossa própria capacidade de orçar tem limites. A gente tem tido que abrir mão de algumas coisas para ganhar outras, o que é bem inusitado", diz.


Novas demandas

Se o projeto demora para sair do forno, quando sai, é preciso correr contra o tempo. E como há muitas expansões feitas por pressão imediata da demanda, os prazos das obras estão sendo cada vez mais comprimidos. "Às vezes, se paga muito mais caro para cumprir ou reduzir o prazo", comenta Hermann. Isso porque se trata de indústrias, cujos resultados valem milhões por dia.

Iniciativas como essas são muito comuns no segmento e impactam a tomada de decisão sobre os projetos. Segundo Giani Pfister, da Racional, se, por um lado, esse aquecimento do mercado está forçando a melhoria do planejamento da obra, por outro, tem provocado mudanças drásticas no processo executivo. "Tive um cliente que havia projetado um edifício vertical em concreto e, frente a uma questão logística e de falta de carpinteiro, transformou a edificação em metálica. Tivemos uma redução de 60 dias, e isso representa muito dinheiro para uma indústria", diz.

O 5. Estudo de Benchmarking em Gerenciamento de Projetos Brasil, realizado anualmente pelo PMI (Project Management Institute), mostrou que o não-cumprimento de prazos (66%), falhas de comunicação (64%) e mudanças constantes de escopo (62%) lideraram a lista das principais deficiências apontadas pelas 184 empresas (entre elas, Petrobras, Nestlé, Vale, Votorantim, Lojas Renner, Natura, Gerdau, IBM, HP e BNDES) que participaram da sondagem.

São constatações como essas que, segundo Giani, estão mudando o perfil da construção (ainda vista como um serviço de execução de empreitada) nesses empreendimentos. "Antes, a gente precificava e construía, agora, a construtora passa a ser não apenas uma executora, mas também aquela que analisa a viabilidade do projeto e o adapta segundo as circunstâncias", acredita.

Leonardo D'Enfeldt, da Patri, também acredita nessa tendência. Segundo ele, a contratação por empreitada oferece mais riscos tanto para a construtora quanto para o cliente, pois não agrega soluções de engenharia construtiva ao projeto, executado, muitas vezes, a partir de informações imprecisas. "Os clientes têm a tendência de passar o projeto para a empresa de equipamento - que não tem core-business para isso e, assim, deixam de fazer um projeto completo e integrado com quem é especializado nisso", diz. Do lado da construtora, esse modelo também traz dificuldades. "O cliente compara meu orçamento com o da fornecedora de materiais, ignorando que existe toda uma gestão na construção, que é o que torna a obra dele mais barata. A construtora ainda faz concorrência com a fornecedora dela", comenta.


divulgação hochtief
A Hotchief está construindo as bases de dois alto-fornos na obra da ThyssenKrupp Steel - CSA, num total aproximado de US$ 540 milhões em investimentos

Modelos de contratação

Em geral, os projetos básicos de obras industriais são de responsabilidade do próprio cliente, que contrata o projetista. Nessa primeira etapa, os blocos ou as ilhas de processo (áreas dentro do mesmo empreendimento que serão tocadas por diferentes empresas) são definidos.

A partir daí, a abordagem às construtoras difere, a depender dos modelos de contratação, que variam entre si principalmente pelo risco que cada uma das partes assume (contratante e contratada). Quando se trata de um contrato do tipo turnkey, uma empresa (geralmente da área de tecnologia) assume a execução de todas as etapas de um projeto - desde o escopo básico até a execução de obras civis, montagem de equipamentos e instalação de redes hidráulicas e elétricas - e subcontrata as construtoras. Nesse modelo, o cliente só especifica as demandas do projeto, e não aqueles que vão executá-lo.

Já quando se trata de um modelo EPC (Engineering, Procurement and Construction Contracts) ou híbrido, os fornecedores de serviços de engenharia ou são contratados diretamente pelo cliente ou, pelo menos, têm que passar por sua aprovação. Nesse tipo de gestão, mais flexível, o cliente determina não apenas o projeto, mas com que marcas, fornecedores, tipos de materiais e de equipamentos quer trabalhar. "Seja qual for o modelo, é cada vez mais necessário que as construtoras ampliem suas prospecções junto a potenciais clientes, já que são eles que enviam cartas-convite para concorrências", diz Hermann.

Na nova unidade da Votorantim Celulose e Papel, orçada em US$ 1,5 bilhão, as cinco construtoras contratadas para execução das obras das 14 ilhas do projeto foram contactadas e selecionadas diretamente pela companhia. "Preferimos fazer a gestão para ter ganhos financeiros e não perder na subcontratação", diz Carlos Monteiro, diretor de engenharia da companhia. Ele explica que normalmente concorrem três ou quatro empresas por ilha e a vencedora fica responsável, além da execução, pelo detalhamento do projeto de engenharia. Em campo, o trabalho das construtoras é fiscalizado pela própria VCP e pela Pöyry Tecnologia, gerenciadora geral da unidade e que também auxilia a VCP na administração dos fornecedores das ilhas. "Só da Pöyry, há 130 profissionais dedicados a essa área", diz Carlos Farinha e Silva, vice-presidente de desenvolvimento para a América Latina da Pöyry e diretor da obra da VCP.

O empreendimento ocupa uma área de 2 milhões de metros quadrados e envolve mais de 130 empresas contratadas, num total de quase dez mil profissionais em campo. Só para acomodar parte dessa gente foram necessários três alojamentos, com capacidade de 1.500 pessoas cada. Esses prédios, depois de terminada a obra, serão entregues à prefeitura e usados para centros educacionais. Os projetos de logística para a construção do empreendimento incluem, ainda, novas linhas de ônibus para transporte dos profissionais, áreas de lazer e entretenimento no entorno, lojas de conveniência, moradias e convênios com hotéis locais.


Fiscalização de terceiros

Já no projeto de expansão da unidade Guaíba, em Porto Alegre, da Aracruz Celulose, são os fornecedores de tecnologia (e não o cliente) que contratam as empreiteiras - no caso, as empresas Estel (montagem elétrica e automação), Fortes Engenharia (construção civil) e Inotame (montagem eletromecânica). Entretanto, apesar de contratadas por terceiros, a capacidade de atendimento de cada uma delas é avaliada diretamente pelo departamento de engenharia da companhia.

"O fornecedor do EPC traz uma lista com três ou quatro parceiros empreiteiros e nós, da Aracruz, visitamos esses subfornecedores para avaliarmos se o aceitamos ou não", explica Carlos Pastrana Fraga, gerente de projetos e de engenharia da Aracruz. "Quando a gente fecha o pacote de EPC, já temos a certeza de quem é subfornecedor de construção e de montagem e isso traz vantagens adicionais, como o prévio envolvimento de todas as partes no projeto", afirma.

A expansão da Aracruz no Rio Grande do Sul prevê a construção de uma nova fábrica de celulose branqueada de eucalipto, integrada à atual unidade, o incremento da base florestal e a implantação de transporte hidroviário, incluindo a construção de portos e terminais. O valor total do investimento gira em torno de US$ 2,6 bilhões, com criação de 12.500 postos de trabalho diretos e indiretos durante o período de execução das obras. Só na construção da fábrica, a estimativa é empregar sete mil profissionais até o final de 2009.

A Aracruz mantém o controle das obras a pulsos firmes, alocando em campo cerca de 50 funcionários próprios, de alto escalão, durante todo o período de obra. "Temos profissionais em todos os âmbitos da construção, desde a organização matricial, à gerência geral, os blocos (que são uma coleção de duas ou três áreas), até cada uma das 17 áreas, onde há a figura estratégica do coordenador, além de todos os campos relacionadas a custo e finanças", conta Fraga.


Oportunidades para as médias

Com projetos desse porte e com alto nível de gestão, só mesmo grandes construtoras para darem conta do recado, certo? Errado. As obras industriais abrem boas oportunidades para médias empresas. "Nunca tivemos bom resultado quando contratamos uma empresa de construção muito grande, porque você não consegue falar com quem toma as decisões finais. Já na empresa de porte médio, acesso rapidamente o principal executivo e as soluções são tomadas", afirma Fraga.

O diretor conta que as médias também oferecem preços mais competitivos e possibilitam, por parte do cliente, mais controle. "A tendência das grandes é terceirizar o trabalho ou otimizar o gerenciamento direcionando um único gerente para a administração de tudo. Se contrato quatro empresas médias, multiplico minha gestão e tenho controle", diz.

Geralmente, essas grandes obras demandam reuniões diárias, semanais, quinzenais, mensais e bimestrais, a depender do nível. Em muitos casos, os presidentes e diretores de todas as empresas contratadas - e sua equipe de suporte - se reúnem a cada dois meses, numa reunião de dois dias ininterruptos, com cerca de 250 pessoas. Nesse grande encontro, cada empresa apresenta o encaminhamento de seus serviços, e aponta os problemas. Dessa reunião, sai uma lista dos itens de preocupação, breve descrição sobre as ações mitigadoras, datas para resolução dos gaps e nome dos profissionais comprometidos com as ações. O volume de obras industriais previstas é promissor, mas traz junto um pacote não menos expressivo de desafios.


Onde estão concentrados os novos investimentos*

* De acordo com os profissionais consultados na reportagem

Siderúrgicas: projetos de US$ 32 bilhões

A indústria siderúrgica estima investir US$ 32,9 bilhões para dobrar a capacidade instalada do setor até 2015, chegando a 63,1 milhões de toneladas, segundo o IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia). Há ainda a possibilidade de mais US$ 14 bilhões em investimentos em novas unidades ainda indefinidas.

Principais obras em andamento:
>> CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), parceria entre a ThyssenKrupp Steel, com participação de 90%, e a Vale, com 10%, e custo estimado em US$ 3,6 bilhões - é o maior projeto do setor siderúrgico brasileiro dos últimos dez anos.
>> Usina integrada da ArcelorMittal Monlevade, no valor de US$ 1 bilhão, e construção de um novo alto-forno.
>> Três novas unidades do Grupo Gerdau em Minas Gerais, com investimentos de R$ 2 bilhões.
>> Porto de Açu, que está sendo construído pela LLX, de Eike Batista, contará com uma siderúrgica estrangeira, com investimentos de US$ 12 bilhões.
>> Nova planta siderúrgica da Votorantim Metais, no valor de R$ 1 bilhão, no Rio de Janeiro.

Mineradoras: US$ 47 bilhões até 2012

A indústria nacional de mineração pretende investir US$ 47 bilhões até 2012, segundo projeções do Instituto Brasileiro de Mineração.

Principais obras em andamento:
>> A Vale deve investir, até o final de 2008, US$ 341 milhões para construção de uma nova planta de pelotização em Minas Gerais.
>> O projeto Carajás Serra Sul, que ainda está sujeito à aprovação do Conselho de Administração da Vale, se aprovado, demandará investimentos de US$ 10 bilhões em mina, planta, ferrovia e porto até 2012.
>> O grupo EBX planeja construir, por meio da subsidiária LLX Logística, um "superporto" de US$ 1,5 bilhão no País, mas prefere não antecipar sua localização.
>> A MMX vai investir US$ 2,35 bilhões no Sistema Minas-Rio (porto, mineroduto, mina), que também prevê a construção de um mineroduto que ligará a mina em Minas Gerais ao porto no Rio de Janeiro, em São João da Barra.
>> Na região Centro-Oeste, somente nos últimos dois anos, o volume de investimentos de apenas sete empresas em Mato Grosso chega perto de US$ 100 milhões. Em Cocalino (MT), a Mineração Serra Dourada planeja investir quase US$ 1,5 milhão em nova mina de calcário. Estão em implantação o projeto Aripuanã, do grupo Votorantim, com aportes de US$ 18,1 milhões e o projeto "Morro sem Boné", no município de Comodoro, da Anglo American Brasil, com investimentos de US$ 18 milhões.
Divulgação VCP

Papel e celulose: metas ambiciosas

Nova fábrica da VCP

Área total: 2 milhões de m2
Área edificada: 62 mil m2
Maior prédio: caldeira de 72 m de altura (base de 45x40)
Maior base concretada: 1.700 m3 de concreto
Volume de concreto armado: 220 mil m3
Aço de construção: 20 mil t
Estrutura metálica: 25 mil t
Volume de terraplanagem: 4 milhões de m3

Segundo projeções do BNDES, os investimentos no setor de papel e celulose no Brasil deverão crescer, em média, 17% ao ano no período 2007/2010, em relação ao triênio 2002/2005. No total, estimam-se investimentos de R$ 20 bilhões no período, montante sem precedentes na história do setor.

Principais obras em andamento:
>> Expansão da unidade Guaíba, na região metropolitana de Porto Alegre, da Aracruz Celulose, com investimento de quase US$ 3 bilhões.
>> Nova planta industrial da Veracel Celulose (Aracruz Celulose) na Bahia, com investimento estimado em US$ 1 bilhão.
>> Nova fábrica de celulose da Votorantim Celulose e Papel no valor de US$ 1,15 bilhão, além de terras e florestas plantadas, localizadas no entorno de Três Lagoas (MS).
>> Construção da Ekas Chemicals, unidade química do grupo Akzo Nobel para papel e celulose, em Santa Cruz, no Rio de Janeiro.


Jorge Hirata
A Racional Engenharia é responsável pelo gerenciamento da contratação, projetos e obras nas unidades para a unidade da Ford, em Camaçari/BA

Automotivo: expansão acelerada

A indústria automotiva brasileira, incluindo a de autopeças, deve investir US$ 15 bilhões nos próximos três anos, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). O setor responde, em média, por um terço da expansão da atividade industrial e contribui para aumentar a demanda de setores básicos, como o de autopeças, metalúrgico, de borracha e plástico e de máquinas e equipamentos.

Principais obras em andamento:
>> Usina de peças automotivas fundidas em alumínio, da Teksid, em local ainda a ser definido e expansão de oito fábricas do Grupo Fiat, num total de investimentos superiores a R$ 5 bilhões.
>> Nova fábrica de motores e componentes automotivos da General Motors, com 500 mil m2, em Joinville, SC, orçada em R$ 350 milhões.
>> Expansões nas principais unidades da Ford - R$ 600 milhões só para Taubaté (SP), num total de R$ 2,2 bilhões aplicados nos próximos quatro anos em ampliação da capacidade.
>> Unidades da Volkswagen Caminhões e Ônibus, que receberão investimento de R$ 1 bilhão, entre 2008 e 2012, na ampliação da sua capacidade produtiva, no desenvolvimento de novos produtos e novas tecnologias. É o maior investimento anunciado por uma montadora de veículos comerciais no Brasil neste ano.


Por Mirian Blanco
Construção mercado 84 - julho 2008
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