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Como orçar com BIM

Entenda como o BIM (Modelagem de Informações para a Construção) automatiza processos e garante maior precisão à orçamentação

Por Gisele C. Cichinelli
Edição 94 - Maio/2009

Sergio Colotto
Dentre as novas ferramentas de TI (Tecnologia da Informação) que prometem revolucionar os processos envolvidos em uma obra, o conceito BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem de Informações para a Construção, vem despontando com força mundo afora. A ferramenta está reinventando as áreas de gestão e projetos. Construindo modelos tridimensionais, paramétricos e orientados a objetos (ou seja, os elementos fazem parte de uma hierarquia de famílias e têm propriedades individuais), ele permite organizar, em um mesmo arquivo eletrônico, um banco de dados de toda a obra, acessível a todas as equipes envolvidas numa construção.

"O BIM permite a criação de um edifico virtual. Desse modo, pode-se dispor de mais tempo para a concepção do projeto, pois, depois de criado o modelo, a representação gráfica dos desenhos é gerada automaticamente", explica Priscila Castro, da área de desenvolvimento da PINI.

A tecnologia permite que qualquer alteração seja atualizada de modo automático, sem nenhuma repaginação das folhas já compostas. Com isso, as vantagens na hora de orçar são muitas: com o BIM é possível quantificar de forma automática e precisa, reduzindo a variabilidade na orçamentação e aumentando sua velocidade. Os softwares que suportam a tecnologia também possibilitam a exploração de mais alternativas de projeto sem sobrecarregar a atividade de orçamentação (leia entrevista com Eduardo Toledo, nesta revista).

Apesar dos benefícios elencados, ainda são poucos os escritórios de arquitetura e de projetos que aderiram ao conceito no Brasil. E, no que concerne ao orçamento, não se tem notícias de construtoras usando a tecnologia para extrair quantitativos. No entanto, especialistas consultados pelo Guia da Construção acreditam que, embora lenta, a sua implantação, como a de toda nova tecnologia, é uma questão de tempo. "Mais cedo ou mais tarde, teremos de sair do 2D e migrar para uma modelagem real", enfatiza Priscila.

Phil Bernstein, responsável por toda a estratégia e tecnologia para design sustentável e BIM da Autodesk, lembra que, antes do BIM, estimar custo era um exercício de olhar para a planta em 2D a fim de extrair quantidades em 3D. "A mensuração era feita na mão, as estimativas eram erradas e extremamente ineficientes. Quanto maior a edificação, maior era o problema. Com o BIM, não se discute mais sobre quantidade, mas sim sobre custo e qualidade", explica.

Segundo ele, para que o mercado brasileiro de construção civil absorva a nova tecnologia, será preciso vencer o conservadorismo das empresas. Um ponto positivo é que, ao menos, já há uma compreensão geral de que o setor é bastante ineficiente. Apenas nos Estados Unidos, lembra Bernstein, um terço dos projetos de edificações extrapola seus orçamentos. "Com o BIM, de saída, já é possível obter muito mais qualidade nessas informações, um grande diferencial já que ele oferece uma maneira bastante sólida para catalogar os materiais e extrair as quantidades e os custos."

A seguir, veja como os softwares Archicad, da Graphisoft, comercializado pela PINI no Brasil, e o Revit, da Autodesk, se integram ao BIM.

Passo-a-passo no Archicad

O Archicad, da Graphisoft, comercializado no Brasil pela PINI, é um software integrado ao sistema BIM Elaboração de Projetos que permite a construção do edifício virtual, com estímulo à liberdade de criação. Uma característica do software é sua integração com outros programas. "O Archicad  importa e exporta arquivos em DWG (AutoCAD), DGN (Micro Station), 3DS (3D Studio), entre outros formatos", explica Priscila Castro, da área de desenvolvimento de mercado da PINI. Como o quantitativo do orçamento é retirado a partir do edifício virtual, a informação é exata, o que gera otimização dos dados e melhor controle do que está acontecendo com a construção, além de reduzir a possibilidade de falha humana e o tempo dispensado à tarefa. Abaixo, veja como isso é possível.

1) Desenho do edifício virtual
O projeto concebido no Archicad cria um edifício virtual que permite a visualização e identificação de cada "item" da obra (tais como paredes, vãos, janelas etc.). Ao clicar em cada um, têm-se os dados de área, volume, espessura, entre outros detalhes só possíveis de serem extraídos por conta da tecnologia em três dimensões.

2) Listas no Excel
O Archicad lista direto para o Excel as informações do projeto por cômodos, tais como pavimento, nome do cômodo, quantidade, área útil, perímetro e pé-direito. Além dessa lista, o software também cria outros arquivos em Excel que serão utilizados na integração entre o desenho e o orçamento. São eles: lista de esquadrias; lista de equipamentos hidrossanitários; lista de alvenarias e lista de coberturas.

3) Acesso ao sistema de integração
Ao acessar o sistema de integração, o usuário escolherá o estado de referência de preços para o qual será elaborado o orçamento e também informar o nome do empreendimento e prazo da obra.

4) Definições de acabamentos
O software solicita então que seja aberto o arquivo gerado pelo Archicad com a lista de cômodos. Cada cômodo é apresentado para que sejam definidos os acabamentos de piso, parede, rodapé e teto, além das quantidades de pontos de luz, tomadas, interruptores e pontos de telefone. Apesar de a escolha dos acabamentos ser bastante simples (é só clicar no acabamento escolhido da lista apresentada), o sistema apresenta padrões de acabamento dependendo do tipo de cômodo. Caso o cômodo seja um banheiro, por exemplo, para o revestimento de parede o sistema mostrará automaticamente a opção azulejo. Porém, se o usuário alterar o revestimento para cerâmico, o próximo item banheiro já apresentará, como opção, esse revestimento para parede.

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