Revitalização de edifício em área central | Construção Mercado

Custos e Suprimentos

Revitalização de edifício em área central

Projeto prevê adequação do retrofit a custos delimitados no PAR (Programa de Arrendamento Residencial), do Governo Federal

Edição 99 - Outubro/2009

O projeto de revitalização do edifício Nair, no Centro de São Paulo, integra um grupo de iniciativas que vêm ganhando força, nos últimos anos: são as que buscam imprimir novos ares à região da Luz e cercanias, eliminando estigmas negativos a partir de ocupações residenciais que impulsionem melhorias na segurança, ofertas de lazer e outros avanços.

Desenvolvido pelas arquitetas Cristiana Casellato, Silvana Simões e Simone Meirelles, o projeto foi o vencedor, em julho último, do "IV Prêmio Caixa-IAB - Ideias e Soluções Sustentáveis para Urbanização e Habitação Social no Brasil" (um dos mais destacados na área), na categoria "Reabilitação e Edifícios em Áreas Centrais".

Um dos requisitos do concurso era que os projetos fossem enquadrados nos preceitos de algum plano habitacional do governo. O escolhido, para a revitalização do edifício Nair, foi o PAR (Programa de Arrendamento Residencial). Como complemento, o trabalho planejou ainda a criação de um centro de atividades esportivas, próximo ao local, num terreno ao lado da Praça Júlio Prestes, financiado pelo Programa Nacional de Reabilitação de Áreas Urbanas Centrais.

No caso específico do retrofit, as arquitetas trabalharam com um limite de R$ 48 mil por unidade. A viabilidade foi conseguida reduzindo-se as metragens originais e ganhando-se uma nova unidade por pavimento: ao todo, nos seis andares, passou-se de 18 para 24 apartamentos. Além de aumentar a arrecadação, a medida teve como objetivo reduzir a taxa condominial, de modo a permitir a ocupação por famílias de baixa renda.

Conceito ecoeficiente

Na remodelagem dos espaços internos, foram empregadas apenas divisórias de gesso acartonado - para minimização da produção de resíduos e entulhos na obra - em atendimento à demanda por soluções sustentáveis constante no escopo do prêmio. Ainda nesse caminho, outros sistemas foram incorporados ao projeto, como o de aquecimento solar híbrido e de captação de águas pluviais para uso em vasos sanitários.

"A própria atitude de preservação da estrutura existente já é o tecido básico da sustentabilidade, uma vez que evitamos imprimir novos materiais - sem contar a economia no custo final, que chega a ser de 40%", comenta Cristiana Casellato. Entre os itens preservados, destaque para o revestimento externo - segundo o projeto, será apenas limpo e pintado. Além disso, pretende-se reaproveitar os pisos dos apartamentos, de taco, e reutilizar portas e batentes existentes.

Estimulada pelos investimentos federais em habitação (e na esteira do programa "Minha Casa, Minha Vida"), a Caixa Econômica Federal decidiu financiar os projetos vencedores do "IV Prêmio Caixa-IAB", em decisão não prevista no edital. Passados seis meses desde a notícia, no entanto, a verba ainda não saiu, de modo que as arquitetas autoras do projeto no edifício Nair já buscam parceiros na iniciativa privada para execução do retrofit. "Nesse caso, poderíamos fazer ajustes no projeto para atingir o público da classe B, como permitir a customização de algumas unidades", adianta Cristiana.

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